Cultura com voz
Brasil

Antigo Santa Genoveva, marco da cardiologia em Goiás, será leiloado

Imóvel em Goiânia foi avaliado em R$ 28,27 milhões e poderá ser vendido por lance livre na terceira etapa.

Antigo Santa Genoveva, marco da cardiologia em Goiás, será leiloado
Foto: Reprodução/UFG

O antigo Hospital Santa Genoveva, em Goiânia, será levado a leilão judicial nesta quinta-feira (1º). O imóvel, onde foi realizado o primeiro transplante de coração registrado em Goiás, tem avaliação de R$ 28,27 milhões. A propriedade ocupa um terreno de 53,3 mil metros quadrados na Avenida Concórdia, na região Norte da capital.

A primeira etapa do leilão começa às 15h30 desta quinta-feira e termina em 5 de outubro, com lance mínimo equivalente ao valor da avaliação. Caso não haja comprador, a segunda chamada será realizada entre 5 e 20 de outubro, com preço mínimo de R$ 14,135 milhões. Na terceira fase, prevista para ocorrer entre 20 de outubro e 5 de novembro, o complexo poderá ser vendido pelo maior lance, sem valor mínimo previamente definido.

O edital permite pagamento à vista ou parcelado. Para parcelar, o interessado deverá apresentar entrada mínima de 25% e quitar o saldo em até 30 prestações.

Hospital marcou a história da medicina goiana

A trajetória do Santa Genoveva começou em 1964, quando o médico Francisco Ludovico de Almeida Neto decidiu construir uma unidade voltada ao ensino e à pesquisa, com atendimento a pessoas de diferentes condições financeiras. Sem conseguir recursos do governo federal para o projeto original, ele reduziu a proposta e criou a Clínica Santa Genoveva.

O hospital foi instalado no setor que deu origem ao seu nome, em uma área comprada do médico e pecuarista Altamiro de Moura Pacheco. Naquele período, o local ficava distante da área mais movimentada de Goiânia e o asfalto não chegava ao terreno. Francisco defendia que a distância permitiria ampliar a estrutura, manter estacionamento, reduzir o barulho e facilitar o acesso de ambulâncias.

Os atendimentos começaram em março de 1970, com 20 apartamentos e cinco médicos. No mesmo ano, a unidade realizou a primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea de Goiás. Em 1974, implantou um serviço de hemodinâmica, voltado à análise do coração e dos vasos sanguíneos e à realização de procedimentos como o cateterismo.

O principal marco ocorreu em 1992, quando a equipe comandada pelo médico Aleksander Dobrianskyj realizou o primeiro transplante de coração registrado no estado.

Expansão e falência

Em seu período de maior funcionamento, o Santa Genoveva chegou a reunir mais de 200 médicos, cerca de 300 funcionários e 150 leitos. O complexo oferecia serviços de cardiologia, cirurgia geral, neurologia, ortopedia e transplantes, além de contar com unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico, pronto-socorro, banco de sangue, radiologia, fisioterapia, laboratórios e consultórios.

Os registros do processo de venda indicam aproximadamente 19 mil atendimentos anuais no pronto-socorro, 52 mil consultas ambulatoriais, 6,1 mil internações, 2,1 mil cirurgias e 4,5 mil exames.

A crise financeira se agravou antes do encerramento das atividades. Em 2015, a média mensal de internações caiu de cerca de 350 para aproximadamente 175 pacientes. A direção atribuiu parte das dificuldades à diferença entre os custos dos procedimentos e os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde e pelos planos de saúde.

O grupo responsável pelo hospital entrou em recuperação judicial em dezembro de 2016. Documentos do processo apontam a paralisação dos atendimentos a partir de 2016, enquanto outras fontes situam o encerramento definitivo em 2017. Em 2019, a falência foi decretada. A dívida superava R$ 40 milhões.

Imóvel permanece fechado

Em março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, a Justiça disponibilizou o prédio ao Governo de Goiás para avaliar a possibilidade de receber pacientes infectados pelo coronavírus. A Secretaria de Estado da Saúde informou que seriam necessárias reformas e adequações, e o hospital não voltou a funcionar.

O imóvel possui 53.321 metros quadrados de terreno e 11.784 metros quadrados de área construída. A descrição do leilão registra mais de 80 espaços entre apartamentos e áreas de internação, cinco salas de operação, áreas de recuperação pós-operatória, duas salas destinadas a UTIs, radiologia, banco de sangue, consultórios e central de oxigênio. Também há cozinha industrial, lavanderia hospitalar, capela, alojamentos, salas de fisioterapia e piscina.

Em janeiro de 2026, moradores denunciaram mato alto, aparecimento de cobras e escorpiões e risco de proliferação do mosquito da dengue. A Secretaria Municipal de Saúde informou ter realizado três inspeções no imóvel em 2025 e aplicado duas autuações à empresa responsável pela massa falida. A administradora judicial afirmou que o terreno tem vigilância e recebe serviços de limpeza e conservação.

O comprador receberá o imóvel no estado atual de conservação. O edital não determina que o local volte a funcionar como hospital.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.