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Telmário Mota recorre ao STF contra arquivamento de queixa-crime contra Cleitinho

Defesa do ex-senador contesta imunidade parlamentar reconhecida por Cristiano Zanin e afirma que falas podem configurar calúnia e difamação.

Ex-senador recorre ao STF para levar a julgamento queixa-crime contra Cleitinho
Foto: Júlio Dutra/Republicanos na Câmara

O ex-senador Telmário Mota recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reabrir a queixa-crime apresentada contra o senador mineiro Cleitinho Azevedo (Republicanos). A ação foi arquivada por decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin, que acolheu parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) e considerou que as declarações estavam protegidas pela imunidade material prevista na Constituição.

O processo se refere a falas de Cleitinho na tribuna do Senado e em publicações nas redes sociais. Em abril, o senador chamou Telmário de “monstro” e afirmou que o ex-senador “tentou estuprar a própria filha” e “mandou matar a ex-esposa”.

A defesa de Telmário sustenta que as declarações não foram críticas políticas nem manifestações relacionadas ao exercício do mandato. Os advogados afirmam que Cleitinho atribuiu ao ex-senador crimes de homicídio e estupro, além de usar qualificações consideradas ofensivas. No recurso, argumentam que as falas podem configurar, ao menos, difamação e calúnia.

Alcance das declarações

O recurso menciona que os discursos foram transmitidos pela TV Senado, tiveram repercussão nas redes sociais e foram reproduzidos por veículos de imprensa. Para a defesa, esses elementos demonstram a extensão do suposto dano à honra de Telmário.

Os advogados também afirmam que o ex-senador não foi condenado pelos crimes mencionados por Cleitinho. Telmário, de 67 anos, cumpre prisão domiciliar por importunação sexual e é investigado pelo assassinato de Antônia Araújo de Sousa, mãe da jovem. Ele nega a acusação. A defesa ainda cita decisão do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) que afastou condenação anterior por falta de provas de violência ou grave ameaça.

O caso ganhou força depois que Telmário deixou o regime fechado e passou a cumprir pena em prisão domiciliar após condenação por importunação sexual contra a filha. Em outro discurso, Cleitinho disse que o ex-senador “pegou oito anos de cadeia” e comparou a situação a uma condenação de “14 anos” relacionada a atos antidemocráticos.

Imunidade parlamentar

Ao defender o arquivamento, a PGR afirmou que os fatos mencionados por Cleitinho eram públicos e verídicos, incluindo a condenação por importunação sexual contra a filha e a investigação sobre a morte da mãe da jovem. Para o órgão, o uso do termo “estupro” não demonstraria intenção de atribuir um crime mais grave com o objetivo de ofender a honra de Telmário.

A PGR também avaliou que as declarações tinham caráter comparativo e buscavam questionar a resposta penal dada a casos de grande repercussão. O parecer relacionou as falas à crítica de decisões judiciais relativas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

A defesa de Cleitinho, representada pela Advocacia do Senado, afirmou que os discursos estavam ligados à fiscalização do poder público e a temas de interesse coletivo. Também sustentou que o senador reproduziu informações amplamente divulgadas sobre as investigações envolvendo Telmário, inclusive a suspeita de participação na morte da mãe da adolescente.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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