BELO HORIZONTE — A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta dificuldades para mobilizar público nos primeiros compromissos de rua. Em três dias, o candidato passou por um ato de lançamento em Copacabana, teve uma agenda cancelada em Juiz de Fora e participou de eventos com baixa adesão em Belo Horizonte, incluindo um “adesivaço” com cerca de 100 pessoas.
A falta de público provocou desconforto em Flávio e reclamações dentro da equipe. Vicente Santini, responsável pela organização das agendas do senador, recebeu as queixas. Ele participa da montagem dos compromissos e encontros do candidato.
Atos abaixo das expectativas
O primeiro evento ocorreu no domingo 16, na praia de Copacabana, onde a campanha lançou oficialmente a candidatura. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap estimou em 8,9 mil o público no pico do ato, às 11h30. Considerada a margem de erro de 12%, a estimativa ficou entre 7,8 mil e 9,9 mil pessoas.
O número ficou abaixo das mobilizações anteriores do bolsonarismo em Copacabana. Em 7 de setembro de 2022, o monitor da USP estimou 64,6 mil pessoas no local. Em março de 2025, um ato convocado por Jair Bolsonaro (PL) reuniu 18,3 mil participantes no pico.
Na segunda-feira 17, Flávio tinha uma motociata e um ato previstos em Juiz de Fora, cidade associada ao atentado a faca sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018. A agenda foi cancelada sob a justificativa de “mau tempo”.
No mesmo dia, o senador foi a Belo Horizonte para o lançamento da candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas Gerais. Realizado no ginásio poliesportivo do Mackenzie Esporte Clube, com capacidade para 900 pessoas, o evento não teve a quadra preenchida. A campanha não divulgou estimativa de público e publicou imagens fechadas nas redes sociais.
A participação de Nikolas Ferreira (PL-MG), apontado na agenda como uma figura de mobilização digital do bolsonarismo, não alterou o cenário. O deputado divulgou imagens que mostravam espaços vazios no ginásio.
Na terça-feira 18, a campanha promoveu outro compromisso em Belo Horizonte, desta vez um “adesivaço”. Cerca de 100 pessoas participaram da atividade.
Próximos compromissos
Os episódios alimentaram na campanha a preocupação sobre a capacidade de Flávio reproduzir nas ruas a mobilização associada ao pai. O PL já havia discutido a adaptação do formato dos eventos à capacidade de convocação do candidato, em vez da repetição da estrutura dos grandes atos de Jair Bolsonaro.
A avaliação ganhou peso porque a campanha escolheu locais e formatos ligados ao bolsonarismo. Copacabana foi palco de manifestações de Jair Bolsonaro, enquanto Juiz de Fora remete ao atentado de 2018. Em Minas Gerais, a presença de Nikolas Ferreira buscava agregar um aliado com capacidade de mobilização.
Nesta quarta-feira 19, Flávio está em Brasília para gravar materiais de propaganda política. A atividade marca uma mudança em relação aos três primeiros dias, concentrados em compromissos presenciais. A campanha prepara novas agendas em São Paulo e um evento no Maracanãzinho, no Rio, previsto para sábado 22.



