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Caso Vorcaro testa estratégia de moderação de Flávio Bolsonaro

Conversas sobre o financiamento de um filme se somam a acusações antigas e desafiam a tentativa do senador de se diferenciar do pai.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A estratégia de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência, baseada na tentativa de se apresentar como uma versão mais moderada do pai, passou a enfrentar um novo problema após a divulgação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. O senador teria cobrado aportes para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro enquanto Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada.

De acordo com informações atribuídas ao Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra no ano passado. O acordo de financiamento chegaria a R$ 134 milhões, e Flávio teria procurado o banqueiro para cobrar a liberação do restante. O senador nega ilegalidades.

"Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda", afirmou Flávio em nota. Ele disse que buscava patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai e negou ter intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou qualquer vantagem.

A conexão com Vorcaro se soma às suspeitas de rachadinha e aos questionamentos sobre a relação de Flávio com o miliciano Adriano da Nóbrega. As acusações se referem ao período em que o senador foi deputado estadual no Rio de Janeiro, cargo que ocupou de 2003 a 2018. Flávio nega as acusações.

A tentativa de se afastar do pai

Nas redes sociais, Flávio tem buscado construir uma imagem distinta da de Jair Bolsonaro. Em um vídeo compartilhado em abril, sua esposa, Fernanda, afirmou: "Não é à toa que você é Bolsonaro moderado". Na mesma gravação, o senador se apresentou como "o Bolsonaro que tomou vacina", em contraste com a postura do pai durante a pandemia de covid-19.

A campanha pretende preservar o eleitorado bolsonarista e, ao mesmo tempo, alcançar pessoas que rejeitam o estilo e as posições mais extremas do ex-presidente. Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o senador tenta reduzir a rejeição associada ao sobrenome e às acusações de corrupção enquanto se apresenta como alguém experiente e capaz de dialogar.

Na avaliação de Sanches, o episódio envolvendo Vorcaro interrompe esse movimento. O senador já havia subido nas intenções de voto depois de ser escolhido pelo pai, em dezembro, para disputar a Presidência pelo PL. Em um eventual segundo turno, Flávio e Luiz Inácio Lula da Silva aparecem empatados no agregador de pesquisas mencionado no levantamento.

A equipe de Flávio atribui parte do crescimento à comunicação nas redes sociais. Pesquisas internas teriam identificado avanço entre jovens, integrantes da classe média e mulheres. Levantamentos do instituto Quaest registraram, entre dezembro e maio, crescimento de nove pontos percentuais entre eleitores de 16 a 34 anos, para 45%, contra 38% de Lula. Entre eleitores com renda entre 2 e 5 salários-mínimos, o senador chegou a 44%, diante de 40% do presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, ainda atrás de Lula, que aparecia com 45% no levantamento de maio.

Acusações antigas

As suspeitas de rachadinha surgiram após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontar movimentações milionárias na conta de Fabrício Queiroz, chefe de gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Em 2020, o Ministério Público acusou Queiroz de operar um esquema que recolheria parte dos salários de funcionários do gabinete em benefício do parlamentar.

Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões em valores da época. O Ministério Público afirmou que ao menos R$ 2 milhões foram para a conta de Queiroz e que outros R$ 2 milhões foram disponibilizados por meio de saques em espécie. Também foram identificados depósitos fracionados e pagamentos em dinheiro vivo relacionados a imóveis, escola das filhas de Flávio e plano de saúde da família.

Flávio chegou a ser denunciado em 2019 por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. O caso foi paralisado por decisões judiciais sobre o foro privilegiado e a legalidade das provas. O Superior Tribunal de Justiça anulou decisões que permitiram a quebra de sigilos bancário e fiscal. O Supremo Tribunal Federal também anulou relatórios do Coaf usados na investigação e as provas decorrentes deles. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que o caso foi encerrado após o ministro Gilmar Mendes rejeitar, em fevereiro de 2025, um recurso que pedia a reabertura.

As relações com Adriano da Nóbrega também remontam à atuação de Flávio na Assembleia Legislativa. O senador homenageou o policial militar em 2003 e 2005. A mãe de Adriano, Raimunda Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa, trabalharam no gabinete de Flávio até 2018. O senador afirma que não conhecia as atividades criminosas atribuídas ao policial e que as duas funcionárias não deveriam ser punidas pelo envolvimento de terceiros.

Disputa pelo eleitorado

O PT tem explorado a tese de que não existe um Bolsonaro moderado. Um vídeo divulgado pelo deputado Lindbergh Farias acusa Flávio de ser de extrema-direita e menciona declarações sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto ao pai, caso o Supremo Tribunal Federal considere a medida inconstitucional. A gravação também recupera um pedido do senador para que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira.

A senadora Damares Alves avalia que Flávio não tenta apenas parecer moderado, mas que esse seria seu perfil político. Já Janaína Paschoal criticou o senador após imagens dele conversando com Jaques Wagner durante a sessão que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF. Depois da votação, Flávio afirmou que o governo Lula havia acabado, mas negou ter participado das articulações que levaram ao resultado.

Para Sanches, Flávio se consolidou entre eleitores bolsonaristas e antipetistas, mas ainda disputa uma parcela de 10% a 12% do eleitorado que não se identifica automaticamente com nenhum dos lados. Esse grupo, segundo ele, costuma decidir o voto mais perto da eleição e pode não transformar uma intenção momentânea em apoio consolidado. As acusações sobre corrupção e a possibilidade de um governo semelhante ao de Jair Bolsonaro aparecem entre os principais motivos de rejeição ao senador.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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