A Polícia Civil de Santa Catarina abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da queda do helicóptero que matou cinco pessoas na região de Urubici. A investigação deverá verificar se houve conduta humana dolosa ou culposa com possíveis implicações criminais, enquanto a apuração técnica ficará sob responsabilidade de órgãos ligados à Força Aérea Brasileira (FAB).
O acidente matou o cantor Rick, da dupla com Renner; o empresário Bruno Avelar; o videomaker Paulo Soares; o piloto Antonio Roberto Nóbrega Araújo; e o copiloto Leopoldo Barros. Os corpos foram retirados do local na tarde de terça-feira, 22, e levados a Florianópolis para perícia e identificação.
Duas frentes de investigação
A FAB informou que acionou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e o Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V) para a Ação Inicial relacionada ao helicóptero PP-MGR.
A apuração do Cenipa busca identificar os fatores que contribuíram para a ocorrência e reunir informações capazes de prevenir acidentes semelhantes. Esse trabalho não tem a finalidade de estabelecer responsabilidade criminal. A investigação da Polícia Civil terá caráter subsidiário em relação à análise aeronáutica.
Ainda será necessário esclarecer o que ocorreu durante o voo, quais eram as condições operacionais e meteorológicas no momento da queda e se houve falha técnica ou algum fator humano envolvido. A análise dos destroços, dos dados disponíveis sobre o trajeto e das condições do tempo deverá integrar o trabalho do Cenipa.
Trajeto e localização
O helicóptero saiu de Porto Belo na tarde de segunda-feira, 21, com destino a São Joaquim. O último sinal foi registrado nas proximidades de São Joaquim, conforme as informações divulgadas durante as buscas. A aeronave desapareceu na região de Urubici e foi encontrada na manhã de terça-feira, 22, em uma área de difícil acesso, na região de Santa Bárbara.
A comandante do 5º Batalhão de Bombeiros Militar, tenente-coronel Heloísa Helena Battisti, informou que as equipes precisaram abandonar as viaturas e caminhar por cerca de três horas até os destroços. O ponto foi indicado inicialmente pela aeronave Arcanjo 03 e confirmado depois por uma equipe terrestre.
A operação foi coordenada pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba (ARCC-CW), o Salvaero Curitiba. Participaram também dois helicópteros da FAB empregados em missões desse tipo, o H-60 Black Hawk e o SC-105 Amazonas, além do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, da Polícia Militar e da Polícia Militar Rodoviária.
Condições meteorológicas
Ainda não há confirmação de que o tempo tenha provocado a queda. Na segunda-feira, 21, Urubici e a área próxima a São Joaquim estavam sob um alerta de “grande perigo” para tempestades, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O aviso previa acumulados de chuva acima de 100 milímetros em 24 horas, rajadas superiores a 100 km/h e possibilidade de granizo. Também havia previsão de danos a edificações, queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia, alagamentos e problemas no transporte. A existência dessas condições, porém, não permite concluir que elas tenham causado o acidente.
Compromisso em São Joaquim
Rick e Bruno Avelar tinham uma mesa reservada para as 12h de segunda-feira em uma vinícola de São Joaquim, onde almoçariam com o prefeito José Teodoro de Sena Amaral (PL), conhecido como Dorinho. O encontro teria servido para apresentar Bruno ao prefeito.
O empresário avaliava investir no condomínio Morada dos Vinhos, empreendimento que prevê obras de construção, pavimentação e iluminação, além de uma estrutura com águas termais. O almoço não aconteceu.


