O Ministério Público de Goiás (MP-GO) pediu a prisão preventiva dos sócios da Bauer Serviços e Tecnologias Ltda. por suspeita de armazenamento e gerenciamento inadequados de resíduos industriais em Senador Canedo. A ação também requer o bloqueio cautelar de até R$ 2,31 milhões em bens da empresa, além da remoção dos materiais, da investigação da área afetada e da reparação dos danos ambientais.
A 5ª Promotoria de Justiça de Senador Canedo ajuizou a ação penal com base em condutas ambientais apuradas no imóvel. Na esfera civil, o MP-GO solicita que a empresa arque com estudos do solo e das águas para determinar o alcance da contaminação. O trabalho deverá passar por avaliação preliminar e investigação confirmatória, com uma etapa detalhada caso sejam encontradas áreas que demandem intervenção.
Se os estudos indicarem necessidade de recuperação, a Bauer terá de elaborar e executar um plano de remediação, incluindo controle das fontes contaminantes, recuperação dos locais atingidos e monitoramento ambiental. O bloqueio pedido tem caráter provisório e pode ser ajustado conforme a dimensão do dano seja definida. Desse montante, R$ 1 milhão corresponde à estimativa de indenização por dano moral coletivo ambiental.
Fiscalizações e perícia
De acordo com o MP-GO, as irregularidades começaram a ser registradas em 2024, quando a Agência Municipal do Meio Ambiente identificou problemas no armazenamento e no gerenciamento de resíduos, substâncias oleosas e produtos químicos. A apuração foi reunida nos Autos Extrajudiciais nº 202600230892.
Em janeiro de 2025, fiscais verificaram que óleo procedente do empreendimento havia alcançado a rede de drenagem pluvial e uma área de preservação permanente próxima, após uma denúncia de descarte em via pública. Foram observadas manchas no solo e no Córrego Vargem Bonita. A empresa recebeu multas de R$ 30 mil e R$ 200 mil.
Uma vistoria feita em abril de 2026 apontou que os problemas continuavam, com material oleoso acumulado e falhas nas estruturas de contenção. A Polícia Científica de Goiás confirmou alteração no solo perto de um tanque de resíduos oleosos por meio do Laudo de Perícia Criminal RG nº 20810/2026. O exame não determinou a extensão da contaminação nem se houve comprometimento das águas subterrâneas.
Em agosto, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informou que a Bauer não havia cumprido o Termo de Compromisso Ambiental nº 4483 quanto à regularização da atividade. Em fiscalização realizada em 2 de setembro, foram localizados tambores, contentores, sacarias, embalagens, reagentes e recipientes com resíduos e produtos químicos, além de líquidos retidos em estruturas de contenção.
O MP-GO pede que a empresa seja proibida de receber novos resíduos ou retomar as operações sem licenciamento ambiental válido. Também solicita o isolamento e a sinalização dos pontos de risco, um inventário dos materiais armazenados e um Plano Emergencial de Desmobilização Ambientalmente Segura. Resíduos, efluentes, reagentes e demais materiais potencialmente perigosos deverão ser removidos, transportados e destinados de forma adequada.


