O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal na Operação Carbono Oculto. Apontado como operador direto do banqueiro Daniel Vorcaro e responsável por transportar dinheiro para o Banco Master, ele também aparece em registros de 570 vitórias em jogos de loteria e apostas.
As movimentações financeiras atribuídas a Freixo Júnior acionaram alertas do Coaf e contribuíram para uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo. As apurações indicam que ele movimentou cerca de R$ 1,2 milhão em espécie e realizou R$ 1,6 bilhão em transações imobiliárias consideradas atípicas.
Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, o empresário admitiu ter participado da obtenção de grandes quantidades de dinheiro vivo, posteriormente entregues a emissários de Vorcaro. Os relatos também descrevem uma transferência de pouco mais de US$ 12 milhões, valor estimado em aproximadamente R$ 62 milhões, para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos.
Segundo os depoimentos prestados por Freixo Júnior à Procuradoria-Geral da República, a remessa foi ordenada por Vorcaro para atender a pedidos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A justificativa apresentada era financiar a produção do filme Dark Horse.
A Polícia Federal apura se todo o dinheiro enviado por uma estrutura offshore sediada no Texas foi destinado ao longa-metragem ou se parte dos recursos custeou a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Relatórios do Coaf e os termos da delação foram encaminhados às autoridades, que investigam as conexões políticas do grupo.


