A reeleição de Jorginho Mello (PL) para o governo de Santa Catarina encerra uma disputa marcada pela mudança de alianças que sustentaram sua chegada ao cargo. O governador permanecerá à frente do estado até 2030, depois de vencer no primeiro turno e garantir mais quatro anos de mandato.
A composição política da campanha foi diferente daquela de 2022. MDB e PP, que faziam parte da base de Jorginho desde a eleição anterior, deixaram o grupo durante a formação da chapa. O MDB pretendia indicar o vice, mas a vaga ficou com o Novo, que lançou Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville. O PP se afastou depois que Esperidião Amin perdeu espaço na composição para o Senado.
Adversários e alianças
Os dois partidos passaram a apoiar João Rodrigues (PSD), principal adversário do governador. Ex-prefeito de Chapecó, Rodrigues reuniu o MDB, com Carlos Chiodini como candidato a vice e Antídio Lunelli na disputa pelo Senado. O PP, por sua vez, manteve Esperidião Amin em sua chapa.
A ruptura alterou a aliança que havia contribuído para a vitória de Jorginho em 2022. Naquela eleição, ele havia derrotado Décio Lima (PT) no segundo turno, com 70,69% dos votos válidos. Agora, chegou à votação com ampla vantagem nas pesquisas de intenções de voto.
Confronto com o governo federal
Durante a campanha, o governador se envolveu em embates com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A discussão ocorreu depois de críticas de Lula à posição de Jorginho sobre políticas de cotas raciais em Santa Catarina. O governador respondeu com ataques ao presidente e questionamentos sobre a atuação do governo federal no estado.
O PL levou o episódio à Justiça, acusando Lula de discurso de ódio. O governo federal negou a acusação.
Aos 70 anos, Jorginho tem uma trajetória política iniciada na década de 1970, quando foi eleito vereador de Herval d’Oeste pela Arena. Depois, passou pela Assembleia Legislativa, pela Câmara dos Deputados e pelo Senado antes de assumir o governo estadual.
Para o novo mandato, seu plano de governo prevê a continuidade de programas já implantados e a ampliação da educação profissional e tecnológica. Também estão entre as propostas a manutenção do Universidade Gratuita, o reforço da rede estadual de saúde, investimentos em infraestrutura e segurança, a expansão da educação em tempo integral e a continuidade de obras rodoviárias e de prevenção a enchentes. João Rodrigues e Gelson Merísio terminaram derrotados nas urnas.



