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Empresa ligada a sócias de fornecedora de Flávio tem fundo nas Bahamas

Hanbellseg foi contratada por R$ 1,5 milhão; registros associam suas proprietárias à Golden, controlada em parte por fundo estrangeiro.

Flávio Bolsonaro: sócias de empresa contratada por R$ 1,5 mi têm elo com fundo em paraíso fiscal
Foto: Foto Marina Uezima/AFP

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um contrato de R$ 1,5 milhão com a Hanbellseg Serviços e Locações Ltda., empresa de Sorocaba. Do valor, R$ 500 mil já foram pagos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conforme a prestação parcial de contas da candidatura.

As proprietárias da Hanbellseg, Carolina Carmezin Beldi e Beatriz Carmezim Beldi, também aparecem no quadro societário da Golden Atividades Imobiliárias Ltda. A empresa tem capital social de R$ 14,9 milhões, e sua maior participação pertence à Feyther Investment Fund Ltd., constituída nas Bahamas.

Alteração societária reuniu empresas no mesmo endereço

Uma alteração contratual feita em novembro de 2025 modificou a composição da Golden, elevou seu capital e transferiu a sede da empresa. O endereço passou a ser a Rua Vicente Lamarca, 326, onde também estão registradas a Hanbellseg, na parte B, e a HB3 Serviços de Terceirização Ltda., na parte C. A Golden ocupa a parte A.

No mesmo ato, Beatriz e Mariana Carmezin Beldi foram admitidas como sócias. Antonio Fabio Beldi, que já integrava a empresa, cedeu uma quota para cada uma delas. Beatriz é sócia de Carolina na Hanbellseg, enquanto Mariana é a única proprietária da HB3, aberta em setembro daquele ano.

A alteração elevou o capital da Golden de R$ 11.556.301 para R$ 14.974.159. A diferença, de R$ 3.417.858, foi convertida em novas quotas de R$ 1 cada, todas subscritas pela Feyther. Depois da operação, o fundo passou a deter 9.388.000 das 14.974.159 quotas, participação indicada no contrato como 62,65%.

Antonio Fabio Beldi ficou com 5.586.156 quotas. Carolina, Beatriz e Mariana permaneceram com uma quota cada. A Golden é administrada por Carolina e Nelson Diniz da Costa, que também aparece como procurador da Feyther no ato societário registrado no Brasil.

Registros apontam situação cadastral suspensa

A Feyther tem inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica sob o número 19.311.044/0001-60. Um comprovante emitido pela Receita Federal em 23 de setembro de 2026 identifica o fundo como empresa domiciliada no exterior e registra o CNPJ como suspenso desde 9 de outubro de 2021, por inconsistência cadastral.

O documento não especifica qual teria sido a inconsistência. Em novembro de 2025, quatro anos depois da suspensão registrada, a Feyther aparece subscrevendo as novas quotas da Golden.

O contrato brasileiro informa que o fundo foi constituído segundo as leis das Bahamas e indica o endereço Winterbotham Place, Marlborough and Queen Streets, em Nassau. Na lista oficial de fundos da Securities Commission of The Bahamas de 30 de setembro de 2020, a Feyther aparece sob a classificação SFM 004, com a The Winterbotham Trust Company Limited como administradora. Na relação de 31 de maio de 2026, o fundo não consta, embora a Winterbotham continue listada como administradora de outros fundos.

Registro nos Estados Unidos

A Feyther também figura como manager da Golden Florida Real Estate LLC, aberta na Flórida em 21 de maio de 2015 sob o número L15000090133. A companhia permanece ativa no cadastro da Division of Corporations do estado.

No registro atual, o endereço associado ao fundo é Tortola Pier Park, Building 1, 2nd Floor, Wickhams Cay I, em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. Esse dado não comprova mudança de jurisdição da Feyther, mas indica o endereço utilizado pelo fundo na companhia registrada na Flórida.

A Golden Florida passou a informar uma localização em Curitiba, no Paraná, como endereço principal após alteração registrada em 23 de abril de 2026.

Os documentos analisados não identificam o beneficiário final da Feyther. Carolina, Beatriz, Mariana e Antonio Fabio Beldi não aparecem como beneficiários finais do fundo. Nelson Diniz da Costa consta como procurador da Feyther no Brasil e administrador da Golden.

Os registros não indicam transferência de recursos eleitorais da Hanbellseg para a Golden, a Feyther, a Golden Florida, as Bahamas ou as Ilhas Virgens Britânicas. Também não há indicação de que os R$ 500 mil pagos à Hanbellseg tenham seguido para essas empresas ou jurisdições.

Questionamentos sobre a Golden e a Feyther foram encaminhados à contabilidade vinculada à empresa, com pedido de repasse aos sócios e administradores. Não houve resposta até o fechamento, e o espaço permanece aberto para manifestação.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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