GOIÂNIA — A arquitetura do Teatro Goiânia registra o projeto de modernização associado à criação da capital. Construído entre 1940 e 1942, o edifício foi concebido para abrigar cinema e apresentações teatrais, mas também passou a receber solenidades e eventos ligados à formação da cidade.
A construção integra o Acervo Arquitetônico e Urbanístico Art Déco de Goiânia, protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O conjunto reúne 22 edifícios e monumentos públicos, além de elementos do traçado urbano da capital e do núcleo pioneiro de Campinas. Em 2024, o instituto publicou uma norma específica de preservação na qual descreve o teatro com referências a “formas de transatlântico, rádios e cinema”.
Arquitetura e identidade urbana
O prédio combina características do art déco com o streamline, vertente que se difundiu internacionalmente nos anos 1930. A linguagem incorporava à arquitetura formas relacionadas à velocidade, à aerodinâmica e às máquinas daquele período, como automóveis, locomotivas, aviões e navios.
No Teatro Goiânia, a influência aparece na fachada principal convexa, nos acessos laterais cilíndricos, nos volumes recortados em zigue-zague, nas marquises sinuosas e nos elementos geométricos escalonados. Na parte posterior, há um detalhe decorativo que imita um leme, conforme o Iphan.
O streamline também foi chamado na França de style paquebot, expressão traduzida como “estilo transatlântico”. A estética acrescentou curvas, superfícies contínuas e linhas horizontais ao repertório do art déco. A Assembleia Legislativa de Goiás classifica o Teatro Goiânia dentro dessa tendência e aponta que o prédio foi pensado para remeter visualmente a um navio transatlântico.
Cinema, teatro e solenidades
O edifício foi planejado durante a criação de Goiânia, cidade que nasceu na década de 1930 com seus primeiros edifícios públicos associados ao art déco. O antigo Cine Teatro Goiânia participou do Batismo Cultural, realizado entre 1º e 11 de julho de 1942, evento que reuniu autoridades, intelectuais e representantes de diferentes setores.
A estreia cinematográfica tem entre suas referências históricas a exibição de “Divino Tormento”, produção da Metro-Goldwyn-Mayer com Jeanette MacDonald e Nelson Eddy. Na mesma fase, a Companhia Eva Todor apresentou a peça “Colégio Interno”.
A autoria do projeto aparece de modo diferente nos registros. A Secretaria de Estado da Cultura atribui a obra ao arquiteto Jorge Félix de Souza, enquanto pesquisas acadêmicas sobre a formação de Goiânia registram José Amaral Neddermeyer como coautor.
Ao longo das décadas, o teatro recebeu atividades de teatro, dança, música e cinema, além de solenidades. A Secretaria de Estado da Cultura informa que uma reforma realizada em 1998 recompôs parte da estrutura e ampliou a capacidade da sala. Em 2024, a norma do Iphan detalhou os critérios de preservação do patrimônio e registrou tanto as referências náuticas quanto o leme da construção.


