SÃO PAULO — Virginia Murano foi sepultada no jazigo centenário da família, no Cemitério São Paulo, ao som de “Jesus, Alegria dos Homens”, de Johann Sebastian Bach. A música é tocada sempre que o local recebe uma nova despedida.
Nascida em 1950, Virginia era uma das cinco filhas do comerciante Rene Murano, filho de italiano. Gostava de ajudar o pai com as ferramentas pesadas da garagem e participou de peças de teatro na escola. Comunicativa e inteligente, integrou uma das primeiras turmas do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação e Arte da USP, a ECA.
Depois de se formar, trabalhou como jornalista local e correspondente em Paris e Lisboa. Em Portugal, cobriu o aniversário de um ano da Revolução dos Cravos, celebrado em 25 de abril de 1975 — data que também marcava seu aniversário de 25 anos. Ela ainda atuou no jornalismo de Roma, na Itália, antes de retornar ao Brasil em 1981.
Carreira e família
Virginia conheceu o jornalista Pedro Del Picchia nos corredores do Jornal Folha de São Paulo. Com ele, teve cinco filhos e viveu em Roma durante sua segunda passagem pelo jornalismo no exterior, no final dos anos 70.
No Brasil, trabalhou por longo período no Jornal da Tarde, do Grupo Estado, onde chegou a ocupar a chefia de reportagem por um período. Também passou pela Globo, pelo SBT, pela Rádio Vaticana, pelo Jornal do Brasil, pela Revista Veja e pela antiga TV Manchete.
Além da carreira, mantinha uma horta em casa, cuidava de animais de estimação e dos filhos, entre eles dois pares de gêmeos. Autodidata, dominava quatro línguas latinas e traduziu para o português o livro francês Diálogos com o Anjo, usando também as edições italiana e espanhola.
Na última etapa profissional, foi empresária no setor de assessoria de imprensa para áreas privadas e públicas. Depois de se aposentar, passou a viver com Alzheimer. Antes e durante a doença, conviveu com os 7 netos. “Mãe, obrigado”, escreveu um dos filhos na despedida.


