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“Digger” transforma catástrofe ambiental em sátira política com Tom Cruise

Novo filme de Alejandro G. Iñárritu combina apocalipse, humor e crítica à ambição humana em uma atuação incomum de Tom Cruise.

“Digger” transforma catástrofe ambiental em sátira política com Tom Cruise

Alejandro G. Iñárritu retorna ao cinema com “Digger”, uma sátira apocalíptica que transforma uma catástrofe ambiental em comentário político e retrato da ambição humana. Com lançamento previsto para 1º de outubro nos cinemas brasileiros, o filme coloca Tom Cruise no papel de Digger Rockwell, magnata do petróleo cuja decisão de ignorar alertas de segurança provoca o rompimento de uma gigantesca calota polar em direção à Europa.

O desastre leva o empresário a uma reunião emergencial com o presidente dos Estados Unidos, Compson, interpretado por John Goodman, além de cientistas, integrantes do governo e militares. Ganesh, personagem de Riz Ahmed, participa da tentativa de compreender a dimensão do acidente. Quando tsunamis atingem a costa europeia, deixando centenas de milhares de pessoas desabrigadas e provocando mortes em grande escala, Digger tenta formular uma saída que também alimenta seu próprio delírio de grandeza.

Uma epopeia contra a complacência

A trajetória de Iñárritu, iniciada com “Amores Brutos”, passa por filmes como “Babel”, “Birdman” e “O Regresso”. As duas últimas produções lhe renderam vitórias consecutivas no Oscar de Melhor Direção. Depois de “Bardo”, o diretor aposta agora em uma narrativa que muda de rumo repetidamente, incorporando reviravoltas metalinguísticas e uma disposição satírica voltada aos filmes de catástrofe.

A parceria com Alexander Dinelaris, Nicolás Giacobone e Sabina Berman conduz a história por uma crítica à complacência e à impiedade da ambição. O roteiro também mira figuras associadas à extrema-direita, como Donald Trump e Elon Musk, sem restringir a responsabilidade pelo colapso a um único personagem ou grupo.

O protagonista não é apresentado como um anti-herói em busca de redenção. Sua conduta permanece repulsiva, mas justamente por isso ele se torna reconhecível dentro do ambiente sociopolítico contemporâneo. A dimensão espiritual da jornada convive com o humor e com um cenário ambiental ameaçador, enquanto a sucessão de viradas mantém o ritmo ao longo de quase 130 minutos.

Imagem e atuação

A fotografia de Emmanuel Lubezki recupera referências de seu trabalho em “Birdman”. A preferência pela luz natural e o uso recorrente de uma câmera em semi-contra-plongée reforçam a sensação de superioridade dos personagens. O resultado combina teatralidade e artificialidade assumida, exigindo do público uma suspensão da realidade para acompanhar as imagens de caráter fabulesco.

Cruise se afasta das figuras de ação que marcaram sua carreira em “Top Gun” e “Missão: Impossível”. Como Digger, divide a interpretação em dois registros. A postura mais canastrona do primeiro ato ganha outra função conforme a história revela novas camadas.

Goodman, porém, concentra parte expressiva da atenção como Compson. O desempenho aposta no exagero e em transformações sucessivas, fazendo do presidente uma presença camaleônica. O elenco ainda reúne Sandra Hüller, como Emma, meia-irmã de Digger; Michael Stuhlbarg, no papel do vice-presidente dos Estados Unidos; e Jesse Plemons, em uma participação breve como Kenny.

Ao unir comédia, drama e suspense, “Digger” leva seus temas ao limite sem abandonar a sátira. O filme chega aos cinemas brasileiros em 1º de outubro.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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