A música ocupa funções diferentes no cinema: pode apresentar personagens, definir uma atmosfera, acompanhar uma transformação ou se integrar diretamente à ação. Em dez filmes de épocas e estilos distintos, as trilhas sonoras ajudam a conduzir narrativas que permanecem associadas às canções e aos arranjos que as compõem.
Do musical clássico à animação
Em O Mágico de Oz (1939), Judy Garland interpreta Dorothy em uma produção cuja trilha percorre a delicada Somewhere Over the Rainbow, momentos de tensão, canções de tom teatral e um desfecho de grande intensidade.
A trilha de Mary Poppins (1964), adaptação do romance homônimo de P.L. Travers, acompanha a babá encantada e austera que se tornou um dos símbolos dos estúdios Walt Disney. Supercalifragilisticexpialidocious e Chim Chim Cher-ee atravessaram gerações e receberam inúmeras versões ao longo do tempo.
Em Grease: Nos Tempos da Brilhantina (1978), o romance entre o líder de uma gangue juvenil e uma estudante inocente na Califórnia dos anos 1950 é conduzido por números como Summer Nights, You’re the One that I Want e Look at Me, I’m Sandra Dee. As interpretações de Olivia Newton-John e John Travolta estão no centro da trilha dançante do filme.
A animação O Rei Leão (1994) se distancia da orquestra clássica presente em outras produções da Casa Mouse ao explorar elementos da cultura africana. Os vocais de Lebo M. e Mbongheni Ngema se combinam ao trabalho instrumental de Hans Zimmer, marcado por batuques e tambores.
Jazz, guitarras e atmosferas sombrias
Com seis estatuetas do Oscar, Chicago articula as atuações de Catherine Zeta-Jones, Renée Zellweger e Richard Gere a uma trilha baseada em instrumentais do jazz e do blues dos anos 1940. Cell Block Tango e All That Jazz sintetizam a força musical da adaptação.
Em Maria Antonieta (2006), a guitarra e as batidas eletrônicas acompanham uma construção narrativa deliberadamente anacrônica. A seleção musical passa pelo new wave e pelo post-punk, em escolhas que reforçam a atmosfera particular do filme de Sofia Coppola.
A trilha de Coraline e o Mundo Secreto (2009) combina repetição, estranheza e elementos oníricos. Na animação dos estúdios Laika, a música contribui para a sensação de inquietação que acompanha a protagonista em meio a reviravoltas e acontecimentos arrepiantes.
Canções incorporadas à ação
Em Em Ritmo de Fuga (2017), Edgar Wright usa canções conhecidas dentro da própria narrativa. A música assume uma função diegética e se transforma em uma espécie de personagem invisível, com faixas associadas a Sky Ferreira, Queen e Golden Earring. O filme também faz um aceno a James Gunn, que utilizou procedimento semelhante em Guardiões da Galáxia.
Nasce Uma Estrela (2018) apresenta Lady Gaga também como compositora e intérprete de uma trilha mais pessoal e intimista. O filme inclui Shallow, Always Remember Us This Way, I’ll Never Love Again e Diggin’ My Grave, reunindo baladas e faixas que receberam diferentes níveis de atenção.
Por fim, Aves de Rapina (2019) tem uma trilha vibrante associada a nomes como Doja Cat e Charlotte Lawrence. Boss Bitch e Joke’s On You representam vertentes distintas do álbum, que integrou uma seleção dos melhores do ano em 2019.



