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O fim de Macondo transforma a série em uma despedida destrutiva

A conclusão de ‘Cem Anos de Solidão’ cumpre a profecia dos Buendía, amarra suas histórias e deixa uma sensação agridoce.

O fim de Macondo transforma a série em uma despedida destrutiva

A profecia que acompanha os Buendía desde o princípio finalmente se realiza no encerramento de ‘Cem Anos de Solidão’. A conclusão da série conduz Macondo e sua família ao desaparecimento, em um episódio de duas horas que abandona o ritmo de construção das partes anteriores para assumir uma forma melancólica e destrutiva.

A opção da Netflix de dividir a parte final da segunda temporada ajuda a explicar a ruptura percebida na narrativa. O que antes era marcado pela prosperidade de Macondo, pelos sonhos e pela evolução dos personagens dá lugar ao desamparo e ao desinteresse entre os descendentes, responsáveis por deixar a herança familiar se perder. A transição é tão acentuada que a produção parece, no início, uma obra diferente daquela que a conduziu até ali.

A cidade depois da família

Quando quase todos os Buendía já morreram, Aureliano Babilonia (Sebastián Osorio) permanece no casarão ao lado de Fernanda Del Carpio (Carla Baratta). Levado para a casa ainda bebê e tratado como filho bastardo, ele vive sob a autoridade da matriarca, já idosa e cada vez mais religiosa. A morte de Fernanda permite que Aureliano saia pela primeira vez e descubra Macondo a partir de sua própria experiência.

A chegada de José Arcadio (Emmanuel Restrepo) altera essa rotina. Criado por Fernanda com a expectativa de que se tornasse Papa, ele retorna como um libertino. Ao saber que a mãe morreu, gasta o dinheiro da família em festas com Aureliano. O vínculo central do rapaz, contudo, está em Amaranta Úrsula (Estefania Piñeres), por quem se apaixona quando ela volta para Macondo. É a partir desse reencontro que o destino dos Buendía alcança sua conclusão.

O roteiro encontra uma maneira consciente de retomar acontecimentos anteriores. José Arcadio reapresenta teatralmente a história para Aureliano, numa tentativa de demonstrar que ninguém mais se lembrava deles. A operação também devolve ao personagem a condição de alguém que percorre sua própria cidade pela primeira vez. Mais adiante, quando a profecia se cumpre, os personagens retornam para uma despedida coletiva do casarão e da própria narrativa.

O encerramento pode ser visto como um filme de conclusão. Sua força está em amarrar os pontos construídos ao longo de cem anos, inclusive os menos percebidos por leitores e espectadores. Ao mesmo tempo, a rapidez da destruição produz um contraste com o deslumbramento artístico, a beleza e o desenvolvimento gradual presentes no restante da série. A história fecha seus caminhos, mas a passagem da construção para a eliminação de todos os personagens deixa um sabor agridoce em quem acompanhou Macondo até o fim.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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