A cineasta Lilly Wachowski, conhecida por dirigir Matrix, reacendeu a controvérsia em torno de J.K. Rowling e da franquia Harry Potter. Mulher trans, Wachowski criticou a permanência da autora no centro dos projetos derivados da saga e questionou o apoio do público às produções relacionadas ao universo bruxo.
A diretora afirmou que parte do dinheiro movimentado pela franquia chega a Rowling e seria utilizada em iniciativas e disputas jurídicas ligadas a questões de sexo e gênero. Para Wachowski, o consumo de produtos associados a Harry Potter contribui para ações que ela considera prejudiciais às pessoas trans.
“Ela está financiando o genocídio contra pessoas trans. J.K. Rowling financia o genocídio contra pessoas trans, ponto final”, declarou Wachowski. Em seguida, ela disse que os recursos obtidos pela autora seriam destinados ao financiamento de legislação antitrans em diferentes partes do mundo e associou o apoio à franquia à própria eliminação.
Resposta da representante de Rowling
Uma representante de J.K. Rowling contestou as acusações e afirmou que a liberdade de expressão deve ser preservada. Também defendeu que as posições da escritora sejam apresentadas de maneira precisa, justa e respeitosa.
A representante citou o J.K. Rowling Women’s Fund, por meio do qual, segundo o comunicado, a autora apoia mulheres envolvidas em ações judiciais no Reino Unido relacionadas a direitos previstos pela Equality Act de 2010. A equipe de Rowling sustenta que o fundo não financia processos destinados a prejudicar pessoas trans ou limitar seus direitos.
“Para corrigir Lilly Wachowski, por meio do Fundo das Mulheres de J.K. Rowling, J.K. Rowling apoia as mulheres que movem ações judiciais no Reino Unido para preservar seus direitos já estabelecidos pela Lei da Igualdade de 2010”, afirmou a representante.
O comunicado classificou as declarações de Wachowski como potencialmente difamatórias e rejeitou as referências feitas pela cineasta ao nazismo e ao genocídio. A equipe de Rowling disse que acusações desse tipo não deveriam ser apresentadas como fatos sem evidências.
Repercussão na nova adaptação
A discussão ocorre enquanto a série de Harry Potter prepara uma nova versão televisiva do universo criado por Rowling. A autora continua ligada criativamente à produção e participa do projeto como produtora executiva.
O elenco também foi envolvido no debate. John Lithgow, que interpreta Alvo Dumbledore, contou que recebeu críticas por aceitar o papel e chegou a considerar deixar a produção, mas decidiu continuar. O ator declarou não concordar com as opiniões de Rowling sobre questões trans e afirmou identificar, nos livros, mensagens contrárias à intolerância e ao preconceito.
Paapa Essiedu, escolhido para interpretar Severo Snape, também manifestou apoio aos direitos de pessoas trans. A HBO já defendeu a participação de Rowling na adaptação, dizendo trabalhar com a escritora e com a obra há mais de duas décadas e reconhecendo seu direito de expressar opiniões pessoais.
A produção pretende adaptar os sete livros da saga para a televisão. Com Rowling ainda diretamente associada à propriedade intelectual, as declarações de Wachowski recolocam em discussão a relação entre o consumo da franquia, a atuação pública da autora e as posições de parte do elenco e do público sobre os direitos das pessoas trans.


