TORONTO — A Warner Bros. usa o Festival Internacional de Cinema de Toronto para procurar novas aquisições e reforçar sua estratégia de lançamentos nos cinemas, enquanto a proposta de compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance enfrenta oposição pública e uma ação judicial movida por 12 procuradores-gerais estaduais.
A operação é avaliada em US$ 111 bilhões e tem sido criticada pelo ator Mark Ruffalo. O negócio colocaria David Ellison, proprietário da Paramount Skydance, no comando da Warner Bros. e também da CNN. Ellison é filho de Larry Ellison, CEO da Oracle e doador de campanha de Donald Trump.
Estratégia para o cinema
Durante o festival, os chefes da Warner, Michael De Luca e Pamela Abdy, defenderam a manutenção de um catálogo que combine produções de diferentes escalas. A companhia pretende continuar investindo em filmes autorais, obras de orçamento médio e projetos menos previsíveis, sem concentrar sua programação apenas em franquias e blockbusters.
Para os executivos, a imprevisibilidade do público torna necessário buscar ideias diferentes, em vez de repetir fórmulas que já funcionaram. A avaliação ocorre depois de um verão histórico nas bilheterias norte-americanas em 2026, impulsionado por ‘Homem-Aranha: Um Novo Dia’, ‘A Odisseia’ e ‘Toy Story 5’. Outras superproduções, porém, tiveram dificuldades para conquistar espectadores.
Críticas à aquisição
Ruffalo voltou a se manifestar contra a fusão e contra a guerra de Israel em Gaza, que, segundo o texto, já matou 73 mil palestinos. Em uma publicação no Instagram, ele compartilhou um vídeo de Safra Catz, vice-presidente executiva da Oracle, sobre os esforços da empresa para apoiar Israel depois dos ataques de 7 de outubro de 2023.
Na ocasião, o Hamas e outros grupos militantes palestinos mataram 1.195 israelenses e estrangeiros e sequestraram 251 pessoas. Catz, que é israelense, havia declarado que a Oracle dispunha de tecnologias que poderiam ser colocadas à disposição dos militares israelenses.
Ruffalo acusou a Oracle de cumplicidade no que chamou de “genocídio” contra os palestinos e questionou a pressão de Trump pela aprovação da fusão, que classificou como ilegal. O ator também afirmou que a operação poderia provocar a perda de 4.500 empregos diretos na produção cinematográfica e de outros 10 mil empregos indiretos.
A ação contra o negócio inclui o procurador-geral da Califórnia. Ruffalo sustentou ainda que a fusão reduziria a concorrência, aumentaria o custo da TV a cabo e diminuiria as opções disponíveis para o público. O cenário também desperta preocupação em razão da reformulação promovida por Ellison na CBS News, considerada por críticos alinhada à agenda MAGA.


