RIO DE JANEIRO — O reencontro com Carlos Maltz foi decisivo para Augusto Licks retomar a atividade musical depois de anos afastado dos palcos. A parceria começou a se desenhar novamente em 2024, por intermédio de Sandro Trindade, e levou os dois a passarem dois anos na estrada. O projeto atual, porém, segue sem Maltz e tem o nome do guitarrista, com Trindade e Ananda Torres na formação.
A baterista e o guitarrista vieram de Porto Alegre para o compromisso no Rio, no Manouche, no Jardim Botânico. O show marca o retorno de Licks ao palco carioca depois de 33 anos. A apresentação ocorre às vésperas de uma live concedida ao canal Pitadas do Sal, em que ele comentou diferentes momentos de sua trajetória.
Um intervalo antes da retomada
Depois de deixar os Engenheiros do Hawaii, Licks contou que passou por um período sabático para recuperar referências da vida cotidiana. A rotina de cerca de 60 viagens por ano havia afetado até sua percepção sobre preços de itens comuns, como manteiga e sapatos.
Nesse intervalo, morreram seus pais, ele se casou e nasceu sua filha, hoje com 26 anos. A música só voltou a fazer parte de sua vida muito tempo depois, de maneira gradual. Segundo o guitarrista, a exposição alcançada pelos Engenheiros do Hawaii e por outras bandas de sua geração tornou difícil qualquer tentativa de recomeço, porque a comparação seria inevitável.
Licks afirmou que o mercado passou a apostar no rock nacional a partir de 1985 e avaliou que o alcance obtido naquele período foi desproporcional, sem perspectiva de repetição.
O fim da formação com Maltz
Maltz havia procurado Licks antes da pandemia para propor uma reunião da formação clássica, mas a iniciativa não avançou. O contato foi retomado em 2024 por meio de Trindade. A parceria terminou em 2025, quando o baterista precisou se afastar por questões logísticas e particulares. De acordo com Licks, o próprio Maltz incentivou os demais a continuar.
Ao falar sobre sua saída dos Engenheiros do Hawaii, o guitarrista classificou as circunstâncias como dolorosas e injustas, mas disse não guardar rancor. “Eu agora olho para trás, para esse passado, como um lado límpido e tranquilo”, afirmou.
Questionado sobre o que ocorreu com a banda depois de sua saída, Licks preferiu não comentar. Disse não ter acompanhado o período e que não opina sobre assuntos que não conhece. Sobre a relação com Maltz, afirmou: “A terceira idade nos permite dissipar todas as diferenças, todos os rancores.”


