Em agosto de 1997, o Oasis lançou Be Here Now sob uma expectativa construída por Definitely Maybe e (What’s the Story) Morning Glory?, discos que haviam colocado Noel e Liam Gallagher no centro do Britpop. A projeção era de que o terceiro álbum consolidasse ainda mais a força da banda.
A recepção inicial acompanhou essa expectativa. O trabalho vendeu em ritmo acelerado no Reino Unido e recebeu avaliações positivas de parte da imprensa. Com o tempo, porém, a percepção mudou. As faixas extensas, o excesso de guitarras e uma produção carregada passaram a ser associados a uma banda que havia levado suas próprias ambições longe demais.
Noel Gallagher depois se distanciou do resultado. No documentário Live Forever, definiu o disco como “o som de um bando de caras no estúdio, cheirados de cocaína e sem dar a mínima”. Em outra ocasião, afirmou que o Oasis deveria ter interrompido as atividades depois da turnê de Morning Glory, em vez de voltar imediatamente ao estúdio para superar um álbum que ainda não havia encerrado seu percurso.
A presença da cocaína também se tornou parte da narrativa em torno de Be Here Now. Noel descreveu aquele período como uma fase movida por juventude e droga, cercada por pessoas que tratavam tudo como extraordinário. A lógica interna era ampliar cada elemento: mais volume, mais grandiosidade e mais impacto.
Ao mesmo tempo, o ambiente musical se transformava. O Radiohead havia lançado OK Computer, e o Blur se afastava de parte da fórmula associada ao Britpop. Na sequência, Urban Hymns, do The Verve, e outros discos mais sombrios e introspectivos ajudariam a deslocar o clima dominante.
O símbolo de uma mudança
Nesse contexto, Be Here Now passou a ser chamado de álbum que matou o Britpop. A ideia simplifica a dinâmica de um movimento musical, que dificilmente desaparece por causa de um único disco, mas ganhou força porque o Oasis ocupava uma posição central naquele cenário.
O álbum ficou marcado, assim, por representar o instante em que a exuberância do Britpop começou a revelar sinais de desgaste. Para Noel, o problema estava também na decisão de insistir quando a banda já havia chegado ao limite, em vez de se afastar por algum tempo.



