Antes de formar o Led Zeppelin, Jimmy Page já era um nome conhecido no trabalho de estúdio. Entre as sessões que marcaram sua trajetória está a gravação da trilha de A Degree of Murder, projeto liderado por Brian Jones em 1967, quando o músico ainda integrava os Rolling Stones.
Dirigido por Volker Schlöndorff e estrelado por Anita Pallenberg, então companheira de Jones, o filme ficou associado sobretudo à música. A trilha reuniu Page, Nicky Hopkins e Kenney Jones, que mais tarde teria passagens por Small Faces e The Who. Glyn Johns participou como engenheiro de som.
Page recordou o trabalho em uma entrevista de 2012. A lembrança contrariava a ideia de que Brian Jones estaria apenas testando uma atividade paralela à banda. Para o guitarrista, o músico tinha domínio do processo: “Brian sabia o que estava fazendo. Foi muito bonito”.
Parte do material surgiu de improvisos, enquanto outra incorporava ideias acrescentadas por Page ao que Jones já desenvolvia. Foi também durante essas gravações que o guitarrista usou arco de violino na guitarra, recurso que mais tarde se tornaria associado a suas apresentações.
Jones explorava instrumentos e efeitos diversos. Entre os elementos lembrados por Page está uma guitarra com pedal de volume, capaz de criar sons semelhantes a tiros, além do uso de Mellotron. “Ele estava avançando com ideias”, afirmou o guitarrista.
A trilha não teve, naquele momento, um lançamento convencional completo. Trechos circularam posteriormente, e o trabalho permaneceu como registro de uma colaboração entre músicos que seguiriam caminhos distintos no rock britânico.
Décadas depois, Page ainda destacava menos a reunião de nomes conhecidos do que a dinâmica das sessões. Em sua memória, Jones aparecia como um músico interessado em buscar sons novos e disposto a conduzir a gravação por caminhos que nem sempre estavam previstos.



