SÃO PAULO — O último show do Sepultura será realizado em uma casa de menor capacidade do que a prevista inicialmente. A apresentação, marcada para 7 de novembro, deixou a Mercado Livre Arena Pacaembu e foi transferida para a Suhai Music Hall, também na capital paulista. Metal Allegiance, Sacred Reich e Krisiun permanecem na programação.
A mudança foi anunciada na última semana. A Suhai Music Hall comporta 9 mil pessoas, enquanto a arena anteriormente batizada como Paulo Machado de Carvalho pode receber 40 mil. A diferença de tamanho sugere que a venda de ingressos não alcançou o volume necessário para ocupar o estádio, mas as razões exatas da troca não foram informadas.
Concorrência no calendário
Uma possibilidade é a concentração de shows de heavy metal no Brasil, especialmente em São Paulo. Iron Maiden e Slayer, por exemplo, têm apresentações previstas na Nubank Arena, respectivamente, em outubro e dezembro. Com vários eventos de grande porte em um intervalo curto, o público pode precisar escolher quais apresentações acompanhar, levando em conta o preço dos ingressos.
Nesse cenário, a despedida do Sepultura concorre com outras atrações pelo orçamento dos fãs. A importância do encerramento da trajetória da banda não elimina a necessidade de estabelecer prioridades de consumo.
Muitas passagens pelo estado
Desde o início da turnê “Celebrating Life Through Death”, anunciada no final de 2023 e iniciada em março do ano seguinte, o Sepultura realizou mais de 150 apresentações. Desse total, 31 ocorreram no Brasil, e pelo menos 10 no estado de São Paulo.
A frequência de shows na região pode ter influenciado a procura pela apresentação final. Parte do público paulista talvez tenha acompanhado a banda em ocasiões anteriores e não tenha reservado recursos para o último concerto.
A formação e a dúvida sobre o encerramento
Outro fator apontado é a divisão entre fãs provocada pela saída de Max e Iggor, integrantes originais do grupo. A frase “No Cavalera, No Sepultura” expressa a posição de parte do público que considera os irmãos fundamentais para a história da banda e, por isso, demonstra menor interesse pela formação atual.
O guitarrista Andreas Kisser já declarou que gostaria de convidar ex-integrantes para o último ato, incluindo Max e Iggor. A recusa atribuída aos dois pode ter reduzido a expectativa em torno da celebração, embora uma reunião já fosse considerada improvável.
Também existe desconfiança sobre o caráter definitivo da turnê. Anunciada como a última do Sepultura, a “Celebrating Life Through Death” é comparada, nas discussões de fãs, a despedidas de grupos como The Who, Scorpions, Kiss, Mötley Crüe, Ozzy Osbourne, Megadeth e Judas Priest que não representaram o fim das atividades. Essa dúvida, porém, não confirma qualquer mudança nos planos do Sepultura.


