A escolha do melhor álbum do The Police divide os próprios integrantes da banda. Sting considera que o ponto máximo do grupo foi alcançado com “Synchronicity”, lançado em 1983. Andy Summers, por outro lado, aponta “Reggatta de Blanc”, de 1979, como o trabalho que melhor representa o trio.
A preferência de Sting está ligada ao resultado obtido no encerramento da trajetória do grupo. O cantor já explicou que os dois últimos discos refletiam seu desejo de escrever canções mais pessoais, nem sempre compatíveis com a dinâmica da banda. Ainda assim, ele vê “Synchronicity” como o trabalho mais bem-sucedido do Police. “Mas o melhor disco que fizemos foi o último – se uma ideia conseguia passar por aquele processo, é porque ela tinha que ser boa”, afirmou.
O álbum reuniu músicas como “Every Breath You Take”, “King of Pain”, “Wrapped Around Your Finger” e “Synchronicity II”. Também foi o maior sucesso comercial da banda. As tensões entre os integrantes, porém, estavam no limite, e o disco se tornou o último trabalho de estúdio do trio.
Summers prefere um momento anterior, quando a banda ainda não carregava o peso da fama. Para ele, “Reggatta de Blanc” preserva uma combinação de energia, urgência e espontaneidade que se perdeu parcialmente nos trabalhos posteriores. O guitarrista destacou que o álbum foi gravado em dez dias e refletia a disposição de três músicos ainda em busca de espaço.
Duas ideias de auge
A diferença entre os discos está também no modo como cada um registra a evolução do Police. “Reggatta de Blanc” se concentra na interação entre Sting, Summers e Stewart Copeland, com uma abordagem mais direta. “Synchronicity” amplia os arranjos, a instrumentação e a ambição do grupo, ao mesmo tempo em que expõe uma banda submetida a pressões maiores.
Apesar da preferência pelo álbum final, Sting também reconheceu a importância de “Reggatta de Blanc”. Em outra ocasião, disse que foi nesse trabalho que “tudo se encaixou” e que as influências de reggae passaram a integrar naturalmente a identidade do Police.
A divergência, portanto, nasce de perspectivas distintas sobre o auge da banda. Sting valoriza o refinamento alcançado no fim da carreira; Summers, a fase em que o trio ainda descobria suas possibilidades.


