ANÁPOLIS — A adolescente Ana Clara Alves Silva, de 13 anos, desapareceu na madrugada de domingo (6), em Anápolis, depois de sair de casa sem avisar a família. Antes de partir, ela deixou uma carta para a irmã na qual afirma que iria para longe com uma pessoa que ama e manifesta dúvida sobre voltar: “Talvez eu volte, talvez não”.
O pai, Fábio Soares, disse que a filha teria conhecido um homem pelo Discord, plataforma de comunicação com recursos de texto, voz e vídeo. Amigas da adolescente relataram à família que o homem teria 28 anos e prometido levá-la para morar no Canadá. A identidade e o paradeiro dele ainda não foram confirmados.
A família suspeita que Ana Clara possa ter sido vítima de aliciamento. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis.
Busca começou após carta ser encontrada
Segundo os familiares, Ana Clara deixou a residência depois das 2h de domingo. Pela manhã, Fábio foi chamá-la para tomar café e percebeu que ela não estava em casa. Durante a procura pelos cômodos, encontrou a mensagem destinada à irmã.
A família registrou um boletim de ocorrência e acionou a polícia. Equipes de inteligência das polícias Civil e Militar buscam imagens de câmeras de segurança que possam indicar o caminho percorrido pela adolescente.
Ana Clara vive com o pai em Anápolis há cerca de oito meses. A mãe mora na Bahia, e os dois dividem a guarda da filha. Fábio afirmou que desconhecia o uso do Discord e os contatos mantidos por ela na plataforma. O celular era permitido principalmente para que a adolescente conversasse com a mãe, embora o pai dissesse ter preocupações relacionadas ao aparelho.
“Tudo isso é muito novo para mim. Eu não sabia que minha filha usava esse Discord”, afirmou Fábio. Ele também declarou não saber quem era a pessoa com quem Ana Clara teria mantido contato e disse estar desesperado.
Posicionamento do Discord
O Discord informou manter compromisso com a segurança dos usuários e possuir sistemas para prevenir a circulação de conteúdos proibidos e o aliciamento na plataforma. A empresa afirmou que coopera com outras companhias de tecnologia e organizações de segurança para reforçar a proteção no ambiente digital.
A plataforma disse utilizar tecnologia avançada e equipes especializadas para localizar e retirar conteúdos que contrariem suas políticas. Também informou que os Termos de Serviço fixam em 13 anos a idade mínima para uso do serviço e mencionou a Central da Família, que oferece a pais e responsáveis ferramentas para acompanhar a experiência dos adolescentes, com preservação da privacidade.


