ANÁPOLIS — A Polícia Civil investiga a corretora Julliana de Freitas Pinheiro após clientes relatarem prejuízos em negociações de consórcios imobiliários. O caso veio a público depois que ela apareceu em uma reportagem como vítima de violência doméstica. Após a exibição, pessoas que dizem ter negociado consórcios com a profissional procuraram a polícia para registrar problemas semelhantes.
A defesa nega a ocorrência de crime e afirma que as situações decorrem de um desacordo comercial. O advogado Marcus Vinicius Holanda Serra diz que clientes estão sendo ressarcidos e que pagamentos já foram realizados. A investigação ainda deve esclarecer as circunstâncias das negociações e se houve crime.
Transferências e contratos cancelados
Uma empresária de 58 anos, natural de Goiás e moradora de Portugal há 27 anos, contou à polícia que conheceu Julliana pelas redes sociais, em 2024. Conforme o relato, a corretora apresentou os consórcios como uma oportunidade de investimento, com a possibilidade de vender as cartas ou obter retorno financeiro posteriormente.
A empresária contratou quatro consórcios em seu nome, com cartas de crédito de R$ 3 milhões, R$ 1 milhão e duas de R$ 250 mil. Como tinha dificuldade para realizar as operações pela internet, passou a enviar o dinheiro das parcelas à corretora, que ficaria encarregada de repassá-lo às administradoras.
Segundo a denúncia, apenas os primeiros pagamentos foram feitos. Depois, os contratos foram cancelados porque as parcelas deixaram de ser pagas. A empresária e três familiares transferiram R$ 109,7 mil à corretora. As administradoras devolveram R$ 23.802, e o grupo calcula um prejuízo de R$ 86.292. Pessoas que chegaram aos consórcios por indicação da empresária também relataram perdas, estimadas por ela em outros R$ 53,8 mil.
Relatos de outros clientes
A investigação inclui ainda o caso de uma carta de crédito de R$ 1 milhão que, em 2025, teria sido informada como contemplada. A cliente afirma que recebeu a orientação de manter o valor aplicado por seis meses, com a promessa de receber depois o dinheiro e os rendimentos. O prazo teria terminado em janeiro de 2026, mas o pagamento não ocorreu.
Diante da demora, a vítima e a filha começaram a registrar as conversas com a corretora. Em uma ligação realizada em fevereiro, Julliana teria dito que a contemplação não havia ocorrido. Na mesma conversa, questionada sobre documentos enviados anteriormente, ela teria confirmado que eram falsos. O material foi entregue à polícia em fevereiro deste ano, quando a empresária registrou uma ocorrência.
Outro homem, também morador de Portugal, relatou ter adquirido duas cotas e pago várias parcelas. Segundo ele, o dinheiro não teria sido repassado corretamente e continuava sem devolução apesar das cobranças. Um terceiro cliente afirmou ter perdido aproximadamente R$ 13 mil. Conforme a polícia, parte do valor teria sido transferida para contas da mãe, do pai e da irmã da corretora.
A defesa afirma que Julliana enfrentou problemas pessoais e estava em situação de vulnerabilidade emocional. O advogado sustenta que o ressarcimento dos clientes e os pagamentos realizados demonstram uma tentativa de resolver os problemas financeiros. A Polícia Civil continua investigando o caso.


