Mato Grosso do Sul registrou 368 homicídios entre janeiro e agosto deste ano, sem incluir feminicídios, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. O número supera em 65 mortes o total contabilizado no mesmo período de 2025, quando foram registrados 303 casos.
A escalada de violência associada à disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) levou o governo dos Estados Unidos a elevar para o nível máximo o alerta oficial de segurança para viagens ao estado. A orientação é que cidadãos norte-americanos não se desloquem para áreas consideradas de risco, onde são citadas possibilidades de sequestro, violência armada, terrorismo e distúrbios civis.
A classificação, chamada de “nível 4: não viaje”, alcança uma faixa de 160 quilômetros a partir das fronteiras do Brasil com o Paraguai e a Bolívia. A área inclui partes do sul e do oeste de Mato Grosso do Sul, entre Mundo Novo e Corumbá.
Disputa por rotas e mortes
A guerra pelo controle das rotas de tráfico de cocaína começou no ano passado e se tornou mais sangrenta este ano, segundo o promotor de Justiça Felipe Marques, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. As organizações disputam caminhos usados para escoar drogas que entram no Brasil pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia.
De acordo com o Ministério Público, ao menos 100 mortes no estado foram provocadas pelo conflito neste ano. No dia 3, uma operação prendeu um integrante do CV acusado de divulgar uma lista com 24 pessoas marcadas para morrer por suposta ligação com a facção rival. Integrantes da lista foram assassinados dias depois, e uma criança de 3 anos morreu em um dos ataques.
A disputa também alcança cidades bolivianas. Autoridades da Bolívia atribuem às organizações brasileiras ao menos dez homicídios ocorridos nas últimas semanas. No mês passado, o país lançou o plano Fronteiras Seguras, que prevê o reforço de polícias especializadas nas áreas limítrofes.
Áreas de atuação
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o PCC mantém presença mais numerosa no estado fora de São Paulo. A facção controla, há dez anos, a rota tradicional do tráfico entre Paraguai e Brasil pela cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero e por Ponta Porã.
O CV tenta ampliar sua presença em municípios do norte, como Sonora, Coxim, Cassilândia e Chapadão do Sul. A estratégia inclui ameaças publicadas em perfis de redes sociais. A disputa territorial também envolve Sonora, Paranaíba, Três Lagoas e Cassilândia, na divisa entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo de Mato Grosso do Sul afirmam atuar de forma integrada contra o narcotráfico. As forças policiais estaduais realizam ofensivas contra o avanço das facções desde o começo deste ano.

