A Associação Nacional Rifle (ANR) destinou R$ 920 mil de uma verba pública a duas empresas que têm Rafael Buscariol Zampaulo, presidente da entidade, como sócio-administrador. Os pagamentos ocorreram no âmbito de um projeto de incentivo ao tiro ao prato em Saltinho (SP), financiado por um termo de fomento com o Ministério do Esporte.
A associação recebeu R$ 1 milhão para executar a iniciativa. Mais da metade do valor veio de uma indicação do deputado federal Mario Frias (PL-SP) ao orçamento da União em 2025. Também houve recursos indicados pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA ficou com R$ 392 mil. Os registros da Receita Federal apontam a participação de Zampaulo na administração das duas empresas. Os repasses foram relacionados à compra de materiais e à contratação de pessoal para o projeto.
Notas fiscais encaminhadas ao Ministério do Esporte registram cerca de R$ 200 mil na aquisição de 10 máquinas lançadoras automáticas e R$ 62,4 mil em óculos de proteção balística. Também aparecem R$ 90 mil em munições calibre 12, R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.
A contratação contraria o termo de fomento, que determina a observância do princípio da impessoalidade. Ao assinar o acordo, o presidente da ANR declarou que não usaria os recursos para contratar empresas do mesmo grupo econômico, com participação societária cruzada ou ligadas societariamente a dirigentes e funcionários da entidade.
Luiz Philippe afirmou que a indicação dos recursos considerou a finalidade pública e critérios técnicos. O deputado disse que a execução financeira, as contratações e a prestação de contas cabem à entidade executora e informou que pedirá esclarecimentos ao Ministério do Esporte. Mario Frias e Rafael Zampaulo foram procurados, mas não responderam.
Posição do Ministério do Esporte
O Ministério do Esporte afirmou ter tomado conhecimento das possíveis irregularidades por meio da imprensa. A pasta informou que, se elas forem confirmadas, poderá determinar a glosa das despesas, a devolução dos recursos, a reprovação das contas e a instauração de Tomada de Contas Especial. Também poderá encaminhar representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Em 10/9, Mario Frias foi alvo de mandado de busca e apreensão determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em inquérito sobre a relação entre emendas parlamentares e o custeio do filme Dark Horse, dedicado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em unidades do Distrito Federal, de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Ceará. O deputado negou irregularidades e afirmou que colaboraria com as autoridades.


