LAGUNA — A Ponte Anita Garibaldi opera atualmente com duas das quatro faixas de rolamento, uma em cada pista, depois que a ruptura parcial dos cabos internos de proteção 4E e 4D levou à interdição total da estrutura por 10 dias, em julho de 2026. O Ministério Público Federal (MPF) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mantêm apurações sobre as causas dos danos, as condições de manutenção e a segurança do tráfego.
A ponte fica no km 316 da BR-101, em Laguna, no sul de Santa Catarina, sobre a Lagoa Santo Antônio dos Anjos. Com 2.830 metros de extensão, é a segunda maior ponte estaiada em curva do Brasil. Seu vão central tem 400 metros e é sustentado por 60 cabos de aço.
Investigações e restrições
A ANTT afirma que recebe da concessionária ViaCosteira relatórios sobre a situação da ponte, resultados de ensaios e documentos técnicos relacionados às ocorrências. A agência também abriu um Procedimento de Averiguações Preliminares (PAP) para examinar inspeções, monitoramento, manutenção, intervenções e condições de segurança da estrutura.
Em 11 de julho de 2026, a Coordenação Regional de Fiscalização da Infraestrutura Rodoviária do Sul acompanhou a situação. Na ocasião, a concessionária apresentou informações preliminares sobre avaliações e intervenções em andamento. A agência ressalta que esse acompanhamento não significou aprovação de projeto, validação técnica das soluções ou aceite dos serviços executados.
A ANTT diz que ainda não há conclusão sobre a origem das ocorrências nem sobre uma possível relação entre eventos registrados em 2022 e os identificados em 2026. O rompimento dos cabos 4E e 4D foi localizado no pilar 35, entre as aduelas AD.6 e AD.7 do vão central.
O tráfego está restrito às duas faixas centrais, com uma faixa liberada por sentido. Também é proibida a circulação de carretas com peso acima de 10 toneladas por eixo e largura superior a 4 metros. Durante julho, uma equipe de engenheiros de São Paulo foi deslocada para realizar uma perícia na ponte.
Informações do DNIT
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) encaminhou à concessionária, em 6 de agosto, informações técnicas sobre a estrutura. O órgão relata que, após a conclusão da obra, em 2015, foi realizado um ensaio de prova de carga que confirmou o desempenho adequado do trecho estaiado.
Segundo o DNIT, as diferenças entre as forças registradas nos estais naquele período e as medições feitas em 2022 e 2025 não constituem, isoladamente, evidência de erro construtivo, deficiência de projeto ou inconsistência na documentação da obra.
O Projeto As Built estabeleceu recomendações para acompanhar a ponte durante sua vida útil. Depois, foram encaminhados manuais com orientações para inspeção, monitoramento e manutenção dos estais e das juntas de dilatação. A obra teve recebimento provisório e, posteriormente, recebimento definitivo de forma tácita, conforme a legislação aplicável.
Até outubro de 2022, sete anos depois da inauguração, o DNIT afirma que não havia recebido informações sobre problemas estruturais relevantes ou vícios ocultos. Após ser comunicado pela concessionária sobre anomalias, o departamento passou a fornecer os documentos solicitados e a acompanhar as discussões técnicas.
Tráfego e próximos passos
A ViaCosteira informa que realiza inspeções anuais e monitora permanentemente a estrutura com projetistas especializados. A concessionária diz que identificou, em julho deste ano, a necessidade de um reparo emergencial em um dos elementos da ponte e interrompeu temporariamente o tráfego no dia 9 de julho. A circulação foi retomada parcialmente em 19 de julho, com uma faixa por sentido do vão estaiado.
A empresa afirma que estudos e análises técnicas continuam em andamento para definir os reforços estruturais. Também sustenta que a ponte permanece íntegra, em operação segura e sem congestionamentos, e que os monitoramentos realizados até o momento não apontaram condição capaz de comprometer a segurança operacional ou viária.
Segundo o MPF, a apuração pretende identificar as causas das falhas recentes e dos danos registrados nos últimos anos, além de cobrar medidas de segurança para os motoristas. O procurador da República Carlos Augusto de Amorim Dutra informou que laudos técnicos registraram o rompimento parcial dos cabos no pilar 35.
O MPF aguarda informações do DNIT para analisar contratos e outros documentos. Depois dessa etapa, deverá solicitar manifestações formais da empresa responsável, dos órgãos envolvidos e do setor pericial do próprio Ministério Público Federal. A apuração também inclui o controle e a fiscalização do excesso de peso dos veículos, considerado uma das potenciais causas de desgaste e danos à infraestrutura viária.
A ponte recebe cerca de 40 mil veículos por dia, com grande fluxo de caminhões e carretas, e está localizada na BR-101, principal corredor logístico do Mercosul. A obra foi executada sob gestão do DNIT e passou a integrar o contrato de concessão da rodovia em agosto de 2020.


