A adaptação cinematográfica de “Era Uma Vez Minha 1ª Vez” chega aos cinemas no próximo dia 17 de setembro apoiada principalmente pelo desempenho de seu quarteto protagonista. Dirigido por Claudia Castro e baseado no livro lançado em 2012, o filme reúne Castorine, Letícia Braga, Lívia Silva e Duda Matte como quatro amigas que atravessam as inseguranças da adolescência a partir de um pacto sobre a perda da virgindade.
Clara, Teresa, Tuca e Patty estabelecem como objetivo cumprir o acordo antes da formatura do último ano do ensino médio. O roteiro, assinado por Thalita Rebouças e João Paulo Horta, acompanha as desventuras, descobertas e frustrações decorrentes dessa decisão. Em quase noventa minutos, a narrativa mantém um ritmo regular e se dirige a um público específico, recorrendo a situações reconhecíveis das comédias adolescentes.
A força do filme está na relação entre as intérpretes. Castorine, Braga, Silva e Matte constroem uma dinâmica convincente, com diferenças marcadas entre as personagens e atenção aos altos e baixos da amizade. O comprometimento do elenco também ajuda a sustentar cenas e conflitos que, em sua maioria, já aparecem encaminhados desde o início.
A divisão das protagonistas em núcleos distintos, porém, impede que elas alcancem maior complexidade. Cada uma recebe uma missão própria, mas os arcos individuais permanecem presos a modelos conhecidos do gênero. A direção e o roteiro acumulam tropos associados às comédias adolescentes, aproximando o filme de referências como “American Pie”, “As Vantagens de Ser Invisível” e “As Melhores Coisas do Mundo”, sem transformar essas aproximações em uma elaboração particular.
Com isso, temas que poderiam conduzir a uma conversa mais consistente — como a naturalização do sexo, a positividade corporal e o impacto da primeira relação sexual — são diluídos pela repetição. A falta de ousadia também aparece na paleta de cores, que escurece progressivamente, e na trilha sonora melodramática e recorrente. Esses elementos enfraquecem a urgência dos acontecimentos e contribuem para uma atmosfera distante da experiência concreta das personagens.
“Era Uma Vez Minha 1ª Vez” preserva, portanto, uma estrutura familiar ao público de Thalita Rebouças. O carisma do elenco consegue atravessar as limitações do material, mas não basta para afastar a sensação de uma reunião de fórmulas já exploradas muitas vezes. O resultado é um coming-of-age pouco inspirado, que encontra no quarteto central seu principal recurso para contornar a previsibilidade.


