O investimento dos Estados no sistema prisional caiu em 2025, enquanto os gastos com as polícias aumentaram. Segundo levantamento do centro de pesquisa Justa, as unidades federativas destinaram R$ 22,3 bilhões às cadeias, uma redução de R$ 500 milhões em relação a 2024. No mesmo período, os gastos estaduais com as polícias Militar, Civil e Técnico-Científica chegaram a R$ 103,5 bilhões.
A pesquisa foi elaborada com dados de 26 unidades federativas. O Acre não forneceu informações para esta edição. No sistema prisional, foram consideradas despesas relacionadas à custódia, incluindo remuneração de funcionários e assistência social, jurídica e de saúde.
Recursos concentrados nas polícias militares
A maior parcela do orçamento destinado às forças policiais ficou com as polícias militares: R$ 60,7 bilhões, equivalentes a 58,6% do total. As polícias civis receberam R$ 22,2 bilhões, ou 21,5%. Já as estruturas técnico-científicas, responsáveis por perícias e produção de provas, ficaram com R$ 2,8 bilhões, correspondentes a 2,7%. Despesas compartilhadas entre as três corporações representaram 17,2%.
Em relação a 2024, o total destinado às polícias cresceu 13,36%, passando de R$ 91,3 bilhões para R$ 103,5 bilhões. São Paulo liderou os valores absolutos, com R$ 18,4 bilhões. Minas Gerais apareceu em seguida, com R$ 12,4 bilhões, à frente do Rio de Janeiro, com R$ 11,1 bilhões; da Bahia, com R$ 6,9 bilhões; e do Rio Grande do Sul, com R$ 4,9 bilhões.
Minas Gerais também registrou o maior aumento proporcional. O Estado aplicou R$ 3,7 bilhões a mais em 2025, uma alta de 42% sobre o ano anterior. Em São Paulo, o crescimento foi de 5%, equivalente a R$ 870 milhões. No Rio de Janeiro, houve alta de 3%, ou R$ 319 milhões. O aumento fluminense ficou abaixo da inflação de 2024, calculada em 4,83% pelo IPCA.
Investigação e sistema prisional
A economista Taciana Santos de Souza, coordenadora de pesquisas orçamentárias do Justa, questionou a concentração de recursos nas polícias militares em detrimento das estruturas de investigação. Na avaliação apresentada no levantamento, essa distribuição pode resultar em mais prisões por pequenos delitos e em menor capacidade para solucionar crimes graves.
Dados do Instituto Sou da Paz, referentes a 2024, indicam que quatro em cada 10 homicídios são solucionados no Brasil. “Daí vem a ideia de que o Brasil prende muito e acaba prendendo mal”, afirmou Taciana.
A pesquisadora também defendeu mais investimentos no sistema prisional. Para ela, as cadeias funcionam “como um banco de recursos humanos para as grandes facções do Brasil”. Entre as medidas citadas estão o reforço do controle sobre a entrada de celulares e sobre ordens para a prática de crimes fora das unidades, além de políticas de reinserção social.
São Paulo foi o Estado que mais destinou recursos às cadeias, com R$ 5,3 bilhões. Santa Catarina recebeu R$ 1,6 bilhão; Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul aplicaram R$ 1,5 bilhão cada; e Minas Gerais destinou R$ 1,2 bilhão.
Dos 26 Estados que enviaram informações, 19 não registraram investimentos policiais voltados a egressos do sistema penitenciário. São Paulo respondeu pela maior parcela entre as exceções, com R$ 13,3 milhões. Também houve aplicação no Ceará, em Mato Grosso, na Bahia, em Sergipe, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
A estimativa foi feita a partir do cruzamento dos gastos estaduais com dados do Sistema Nacional de Informações Penais, referentes a dezembro de 2025.


