FORTALEZA — A Polícia Civil do Ceará investiga a morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos, que caiu do terraço do prédio onde morava com o namorado, João Munhoz Neto. Preso no caso, Neto nega as acusações por meio da defesa.
A síndica do edifício afirmou, em depoimento, que Neto pediu ao porteiro que procurasse o celular de Isabelle nas lixeiras no dia seguinte à morte. Segundo ela, ele também teria impedido a entrada dos familiares da jovem no prédio. Ainda conforme o depoimento, o apartamento foi limpo, alguns objetos foram retirados e o imóvel foi colocado à venda.
Mensagens e cobranças
A polícia encontrou o celular de Isabelle junto ao corpo e recuperou mensagens e áudios enviados a familiares e amigas antes da morte. Em um áudio encaminhado ao primo, a estudante relatou ameaças que, segundo ela, partiam do namorado: “São ameaças diretas vindas dele”. Em outra mensagem, afirmou que não conseguia fazer determinadas atividades sozinha e que era impedida de publicar fotos.
Isabelle também contou às amigas que Neto a proibia de sair do prédio e permanecia na porta para impedir sua passagem. Antes de morrer, ela enviou uma mensagem de despedida ao irmão e à mãe, na qual pediu perdão, disse que havia sido vencida pelo medo e pediu ao irmão que protegesse a mãe.
A mãe, Isorlanda Caracristi, afirmou que não foi avisada diretamente por Neto. Ela disse que soube da morte ao receber uma ligação de um número desconhecido e precisou ir ao prédio para confirmar o ocorrido.
Conversas do celular registraram uma discussão financeira entre o casal no dia da morte. Neto cobrava R$ 13,5 mil de Isabelle, enquanto, em depoimento, afirmou ter emprestado pouco mais de R$ 14 mil a ela e que sua mãe havia emprestado outros R$ 7 mil. A advogada da família, Patrícia Viana, declarou que ele teria feito novas cobranças e exigido a localização da estudante.
A defesa nega acusações de controle e abuso psicológico. A advogada Ligia Peixe apresentou um pedido de habeas corpus para que Neto deixe a prisão.
Perícia e andamento do caso
Imagens de segurança registraram Isabelle chegando ao edifício acompanhada de Neto e subindo ao apartamento, no 15º andar. Depois, ele saiu para ir a uma missa, enquanto ela permaneceu no imóvel. Às 19h12, Isabelle apareceu pela última vez no elevador. A perícia concluiu que a queda foi voluntária, descartou a hipótese de acidente e não encontrou lesões de defesa que indicassem luta corporal.
A investigação já ouviu 25 pessoas, analisa mais de 700 vídeos das câmeras do prédio e tenta definir quando Neto soube da queda. O celular dele também é examinado; de acordo com o delegado Márcio Gutiérrez, o aparelho reúne mais de 400 mil mensagens, além de e-mails e dados de localização.
A polícia apura ainda a relação de Neto com outra mulher. A defesa confirmou que ele é casado, mas declarou que estava separado da esposa. Isabelle e Neto haviam se conhecido em um escritório de advocacia onde ele era gestor e ela trabalhava como estagiária. O proprietário do escritório afirmou, em depoimento, que a jovem o procurou e disse que se sentia “sufocada” profissionalmente pelo namorado.
Isorlanda afirmou esperar respostas sobre a morte da filha e justiça. A família é representada pela advogada Patrícia Viana.
Onde buscar ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito de apoio emocional 24 horas por dia pelo telefone 188, além de e-mail e chat. O Canal Pode Falar, iniciativa do Unicef, atende adolescentes e jovens de 13 a 24 anos pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) integram o Sistema Único de Saúde (SUS) e atendem pessoas com transtornos mentais. O Mapa da Saúde Mental reúne endereços de unidades e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online.

