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Luciano Ambrósio transforma memória, corpo e escuta em poesia e fotografia

Cego desde os 25 anos, artista reúne cerca de 100 poemas e dez fotografias em livro previsto para novembro, em Brasília.

Luciano Ambrósio transforma memória, corpo e escuta em poesia e fotografia

A fotografia de Luciano Ambrósio começa antes do disparo. O poeta e fotógrafo reconhece o ambiente pelos pés, pelo calor do sol e pela ajuda de pessoas que descrevem o que está ao redor. Cego desde os 25 anos, ele reúne essa experiência em “O Meu Olhar”, livro previsto para novembro, na Biblioteca do Senado, em Brasília, onde mora.

A obra terá cerca de 100 poemas e dez fotografias. As imagens são produzidas por Luciano com uma máquina profissional e selecionadas com a participação de amigos, familiares e acompanhantes. A esposa tem colaborado na descrição dos ambientes, enquanto um aplicativo de celular também pode informar o que está diante dele.

“Eu enxergo pelo corpo. Eu enxergo pelos pés, por exemplo, se estou numa grama, numa calçada. Eu sinto o calor do sol na minha cabeça ou no meu braço e assim sei onde está o sol”, afirma.

Uma relação anterior com as imagens

Luciano perdeu a visão progressivamente em consequência da retinose pigmentar, doença hereditária presente em sua família. Antes da cegueira completa, conheceu paisagens, cores e rostos. Essa experiência permanece ligada à sua relação com a fotografia, que ele descreve como afetiva.

“Eu amo fotografar e a minha relação com a imagem é forte e afetiva. Eu sei o que é beleza visualmente falando”, diz.

O fotógrafo se interessa especialmente pela natureza e por elementos próximos, como uma rachadura na calçada, uma escada e a textura do chão. Em vez de se limitar a grandes paisagens, costuma aproximar a câmera do que está perto dos pés. A seleção das dez imagens que estarão no livro incorpora, portanto, tanto sua produção quanto o olhar de outras pessoas.

A combinação entre imagens e poemas é parte central do projeto. Os textos tratam principalmente de sentimentos, autoconhecimento e experiências acumuladas ao longo da vida. Uma das referências mencionadas por Luciano é a canção “Caçador de Mim”, de Milton Nascimento, associada por ele à busca por si mesmo e à própria arte.

Memórias de Minas Gerais e Goiás

Luciano nasceu no interior de Lajinha, na Zona da Mata, em Minas Gerais. Também viveu durante dez anos entre Anápolis e Alto Paraíso de Goiás, onde foi professor de Geografia e História na rede conveniada do estado.

Alto Paraíso aparece em sua formação artística por meio das paisagens da Chapada dos Veadeiros, do misticismo local e das experiências vividas na Cidade da Fraternidade, uma comunidade espírita. As lembranças da cidade, das pessoas e dos lugares visitados, como Itiquira e Pirenópolis, retornam em seus poemas.

A família também mantém vínculos com Alto Paraíso: uma irmã de Luciano mora na cidade, uma sobrinha trabalha como guia e um cunhado é técnico agrícola. Outra irmã é professora aposentada.

Um livro para compartilhar experiências

O título “O Meu Olhar” nomeia uma obra em que percepção, memória, tecnologia e colaboração se cruzam. Luciano produz as fotografias, conta com descrições para orientar o trabalho e participa da escolha das imagens que integrarão o volume.

Para ele, a poesia pode transformar lembranças em presença. O lançamento em novembro, na Biblioteca do Senado, reunirá esse percurso em uma publicação que pretende aproximar leitores de suas fotografias e de seus poemas.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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