Roger Waters colocou em dúvida o uso que artistas veteranos fazem da projeção conquistada nos palcos. Em participação no podcast Due Dissidence, o ex-integrante do Pink Floyd afirmou que nomes como Mick Jagger, Paul McCartney e Bob Dylan poderiam abordar crises e conflitos mundiais durante suas apresentações.
A crítica mais direta foi dirigida a Jagger, vocalista dos Rolling Stones. Ao discutir o que ainda levaria o músico a se apresentar para grandes plateias, Waters declarou: “Mick, nós sabemos, está interessado em seu físico, em seu saldo bancário e que se dane o resto”.
Música, dinheiro e posicionamento
A conversa também tratou da relação entre a indústria musical, o dinheiro e o posicionamento político. Waters associou a busca prolongada pelo estrelato a uma atenção excessiva à imagem pessoal e disse que o desejo de se apresentar para centenas de milhares de pessoas pode não vir acompanhado do desenvolvimento de empatia por quem está fora desse circuito.
Ao abordar o tema, o músico mencionou pessoas pobres e vítimas de genocídio como grupos que poderiam ficar distantes da preocupação de artistas concentrados na própria exposição. A avaliação foi apresentada no contexto de sua cobrança para que a visibilidade obtida no palco seja usada em discussões sobre injustiças.
Waters também criticou a desigualdade econômica. Para ele, a lógica atual da indústria tornou grandes espetáculos cada vez menos acessíveis a trabalhadores comuns.
Jagger, McCartney e Dylan foram citados por pertencerem à mesma geração de Waters e permanecerem entre os artistas mais conhecidos do planeta. Na avaliação do ex-Pink Floyd, a longevidade e o alcance de público não seriam suficientes: essa visibilidade também deveria servir para tratar de problemas que ultrapassam o universo da música.


