A faixa “Cars”, versão de uma canção de Gary Numan, deixou de ser apenas um bônus da edição digipak de “Obsolete”, tornou-se single e alcançou o maior sucesso comercial do Fear Factory. O músico inglês também participa da faixa-título do álbum, que recebeu premiações de ouro nos Estados Unidos e na Austrália e é o trabalho mais bem-sucedido da carreira do grupo.
Em entrevista ao Eonmusic, Burton C. Bell, ex-vocalista da banda, afirmou que o disco buscou avançar em relação a “Demanufacture”, sem repetir ou reconstruir a fórmula do antecessor. A mudança incluiu a textura das músicas: “Obsolete” preservou o metal industrial, mas adotou uma abordagem que Bell descreveu como quente e orgânica, em contraste com o caráter frio, técnico, mecânico e preciso do álbum anterior.
Hip-hop e novas referências
A produção também incorporou elementos do hip-hop. Integrantes do grupo canadense Swollen Members e o rapper Madchild participaram do trabalho, enquanto Madchild ajudou Bell a adaptar a voz ao formato. O ex-vocalista citou “Edgecrusher” e “Descent” entre as faixas beneficiadas por esse processo.
“Obsolete” é o terceiro trabalho de estúdio do Fear Factory e dá continuidade conceitual a “Demanufacture”. Sua narrativa se passa em 2076, em um futuro marcado pelo domínio das máquinas e pela escravidão tecnológica. A temática lírica foi inspirada por “Os Meninos do Brasil”, de Ira Levin; “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley; “1984”, de George Orwell; e “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Arthur C. Clarke.
O álbum foi também o primeiro em que o baixista Christian Olde Wolbers gravou todas as partes de seu instrumento.


