O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, as investidas contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e defendeu mudanças nas instituições multilaterais. A fala ocorreu nesta terça-feira (22/9), em meio às tensões entre Brasília e Washington.
“Perseguir o TPI é o estímulo para que esses crimes fiquem impunes”, afirmou Lula. A declaração foi dirigida às ações contra a Corte e seus integrantes, em uma referência ao governo de Donald Trump, que mantém uma relação conflituosa com o tribunal.
Soberania e relações internacionais
No mesmo pronunciamento, o presidente sustentou que o Brasil deve preservar sua autonomia e, ao mesmo tempo, manter relações com os Estados Unidos. A posição inclui a rejeição a interferências estrangeiras em assuntos internos brasileiros.
Sem mencionar Trump nominalmente em todas as críticas, Lula declarou que o país “não cabe no quintal de ninguém”. Na véspera, havia dito que o presidente norte-americano tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não de impor sua vontade a outras nações.
Antes do discurso, Lula se reuniu com António Guterres, secretário-geral da ONU. A Assembleia Geral reúne representantes dos 193 países-membros da organização.
Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que defenderia um Brasil soberano, que respeita os demais países e exige respeito. Também destacou a defesa da paz e do diálogo entre as nações.
Lula e outros líderes defenderam, em artigo publicado no Financial Times, alterações nas instituições multilaterais para torná-las mais representativas e eficazes na resolução de conflitos internacionais.


