ANÁPOLIS — A lembrança de Larissa Eduarda da Silva Brito é marcada pelos vínculos que ela construiu na família e no trabalho. Aos 20 anos, a jovem morreu depois de permanecer cerca de duas semanas internada em decorrência dos ferimentos sofridos em um acidente no bairro de Lourdes, em Anápolis.
A tia Juciane Silva acompanhou Larissa desde o nascimento e esteve entre as primeiras pessoas a pegá-la no colo. Ao longo dos anos, a proximidade entre as duas permaneceu, e Larissa e a irmã passaram a ser consideradas como filhas por Juciane. A tia descreve a sobrinha como respeitosa, trabalhadora, madura e responsável.
“Foi uma menina que eu vi nascer, que eu fui uma das primeiras pessoas a pegar no colo”, relembra Juciane.
Planos interrompidos
Larissa gostava de cozinhar e fazer bolos. Também era vista pela tia como alguém dedicada ao trabalho e aos próprios projetos. Juciane afirma que a jovem tinha sonhos e planos para o futuro e demonstrava maturidade apesar da idade.
A família havia passado por uma sequência de aniversários em agosto e no início de setembro e se preparava para viajar para Pirenópolis no domingo seguinte ao acidente. Os parentes planejavam seguir juntos, em carros separados. A mãe de Larissa chegou a conversar com a filha sobre o que levariam para o passeio.
Depois da internação, os familiares aguardaram a recuperação da jovem. Juciane acreditava que Larissa deixaria a Unidade de Terapia Intensiva e retornaria para casa, o que permitiria que os planos fossem retomados em outro momento. “A gente estava se organizando para ir, mas, enfim, não deu tempo”, lamenta.
Relação criada no trabalho
Larissa também era lembrada pelas amizades que fez no ambiente profissional. Ângela Maria Félix da Silva, de 47 anos, conheceu a jovem durante a integração do Rio Vermelho Atacadista do Bar Maracanã. As duas trabalharam juntas por dois anos e cinco meses.
Ângela diz que percebeu uma conexão entre elas desde os primeiros contatos. Segundo ela, Larissa era simpática, criava vínculos com facilidade e ajudava a tornar a rotina mais leve. A jovem fez muitas amizades no trabalho e, por causa da diferença de idade, chamava Ângela de “segunda mãe”.
As duas trocavam conselhos e procuravam ajudar uma à outra. Ao falar sobre a morte da amiga, Ângela afirma que gostaria de contar sua história com Larissa ao lado, para poder abraçá-la e ver seu sorriso. Ela diz que a amizade permanecerá em sua memória.
O acidente
A colisão ocorreu na noite de 28 de agosto, no cruzamento da Avenida Comercial com a Rua 14, no Bairro de Lourdes, em Anápolis. Larissa estava na garupa da motocicleta conduzida pelo namorado quando o veículo foi atingido por um carro. A motorista teria avançado no cruzamento após desrespeitar a sinalização de parada.
Os dois ocupantes da motocicleta ficaram feridos. Larissa foi encaminhada ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana) depois de ser atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). No hospital, passou por cirurgia e permaneceu na UTI devido à gravidade dos ferimentos.
Ela morreu após cerca de duas semanas de internação. O namorado sofreu uma lesão no pé e segue se recuperando em casa.


