LUZIÂNIA — Uma investigação que combinou características físicas, material genético e vocalização confirmou uma nova espécie de rã-de-vidro no Cerrado de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Batizada de Vitreorana micaelae, ela foi descrita por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB). O estudo foi publicado em setembro na revista científica ZooKeys.
A identificação só foi possível depois de uma comparação detalhada com outras espécies. A equipe analisou diferenças na forma da íris, na pigmentação do dorso, na região próxima à cloaca, no canto e no material genético dos animais. Os resultados mostraram características consistentes para reconhecer a rã como uma espécie distinta.
Um animal difícil de localizar
Os machos adultos examinados medem entre 21,7 e 26,1 milímetros. Além do tamanho reduzido, a espécie tem aparência esverdeada e quase transparente. Eles costumam ficar no alto das árvores ou em barrancos inclinados próximos aos rios e vocalizam principalmente durante períodos de chuva intensa, o que dificulta sua localização.
Os exemplares foram encontrados em matas de galeria junto a pequenos riachos que alimentam o rio Corumbá. A proximidade da água é necessária para o ciclo de vida do animal. O gênero Vitreorana passou a reunir 11 espécies conhecidas, quatro delas registradas no Brasil. A Vitreorana micaelae é a segunda espécie do gênero conhecida como exclusiva do Cerrado.
Rãs-de-vidro já haviam sido registradas na região em 2013. Naquele momento, os animais foram identificados como Vitreorana eurygnatha. A análise posterior mostrou que pertenciam a outra espécie.
Reprodução e conservação
A nova espécie deposita os ovos em folhas de árvores altas, sobre os riachos. O macho permanece perto da postura, fazendo a guarda. Após a eclosão, os girinos caem na água e vivem no sedimento do riacho.
Os pesquisadores ainda não sabem qual é o tamanho total da população. Por essa razão, o estudo recomenda que a espécie seja enquadrada como “Dados Insuficientes” no sistema da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A categoria não significa que a rã esteja oficialmente ameaçada de extinção, mas indica que ainda faltam informações para avaliar sua situação de conservação.
O estudo chama atenção para possíveis impactos sobre o ambiente onde a espécie vive, incluindo alterações no regime de chuvas, desmatamento e represamento dos rios da região. O nome científico homenageia a bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, esposa do pesquisador Wilian Vaz-Silva, que liderou a equipe responsável pela descoberta.


