O pastor J. B. Carvalho, líder da Comunidade das Nações e próximo da família Bolsonaro, defende o fim do reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Ele também considera ilegal o feriado nacional de 12 de outubro, dedicado à santa. As posições aparecem no livro A Bomba, publicado em 2001.
A relação de Carvalho com Flávio Bolsonaro ultrapassa a aliança política e religiosa. O senador se converteu à denominação em 2022 e foi batizado pela igreja em 2024, ao lado da esposa, Fernanda. O vínculo também alcançou Jair Bolsonaro.
Em novembro de 2025, enquanto Jair Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Flávio lhe presenteou com o livro Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente, escrito por Carvalho e publicado pela Editora Chara em 2018. Na véspera do aniversário de 70 anos do ex-presidente, o pastor participou de uma transmissão ao vivo com a família e declarou: “Minha solidariedade ao nosso eterno Presidente Jair Bolsonaro”.
Críticas à devoção católica
No livro, Carvalho contesta a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira e afirma que “a lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”. O pastor argumenta que não haveria respaldo constitucional para impor uma padroeira a toda a população e relaciona sua tese à separação entre Estado e religião estabelecida pela Constituição de 1891 e mantida, segundo ele, pelas Cartas de 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988.
A partir desse entendimento, Carvalho conclui que o feriado de 12 de outubro não teria validade jurídica. A posição, porém, contrasta com a legislação federal em vigor: a data foi oficializada como feriado nacional dedicado a Nossa Senhora Aparecida pela Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo. A norma teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, apresentado pelo deputado Jorge Arbage, e permanece vigente na Câmara dos Deputados.
Carvalho também convoca os fiéis a rejeitar a devoção mariana e a substituir a centralidade atribuída a Maria pela figura de Jesus Cristo. Em sua argumentação, critica práticas católicas, questiona o uso do terço e compara a veneração mariana a tradições religiosas antigas. O pastor ainda associa o culto à chamada Rainha dos Céus a possíveis punições divinas.
A obra contrapõe o que Carvalho denomina cristianismo verdadeiro ao marianismo católico. Ele sustenta que Jesus deve ocupar o centro da fé e rejeita a atribuição do título de senhora a Maria, em uma crítica dirigida à teologia e às práticas da Igreja Católica.


