O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou, durante agenda de campanha em Franca (SP), que integrantes da família Bolsonaro comemoraram a sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Na avaliação dele, a medida compromete o polo calçadista da cidade, que teve apoio eleitoral ao grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Renan também citou impactos sobre o setor madeireiro do Paraná e a produção de pescados e congelados em regiões do Nordeste. O tarifaço foi anunciado em julho de 2025 pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e elevou para 50% a cobrança sobre parte das mercadorias brasileiras exportadas ao país, incluindo calçados. A carta que comunicou a decisão mencionou o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Críticas a Flávio Bolsonaro e Lula
Na mesma agenda, o candidato criticou Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar das terras raras, minerais empregados na fabricação de ímãs, baterias e equipamentos eletrônicos. Segundo Renan, os dois abordam o tema a partir da cessão de interesses a outra potência: Lula em favor da China e Flávio em apoio aos Estados Unidos.
Para enfrentar a política comercial norte-americana, Renan defendeu a adoção de tarifas equivalentes sobre produtos dos Estados Unidos e o uso das terras raras como instrumento de negociação. Ele afirmou que o Brasil deve buscar acordos sem submissão.
A agenda do candidato incluiu uma passagem pela Praça Nove de Julho, onde está o Monumento ao Soldado Constitucionalista. Depois de Franca, estavam previstas atividades em Uberaba (MG) e Uberlândia (MG). Na quinta-feira (24), Renan havia passado por Piracicaba (SP), São Carlos (SP) e Ribeirão Preto (SP).
Plano de governo
Questionado sobre a sobretaxa e a carga tributária, Renan disse que seu plano prevê a reindustrialização do país. Para ele, o Brasil vive um processo de reprimarização da economia, com redução da capacidade industrial.
Entre as propostas apresentadas estão ampliar investimentos públicos em energia e estradas, mudar leis trabalhistas para facilitar contratações e demissões, reduzir despesas governamentais para permitir a queda dos juros e promover, no exterior, marcas brasileiras de produtos industrializados. Na avaliação do candidato, essas medidas poderiam favorecer o crescimento de Franca e de outras regiões.


