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Sertanejo observa plantas e animais para prever chuvas no semiárido

Francisco Elpídio de Medeiros reúne sinais da caatinga há cinco décadas e prepara previsões para o período chuvoso de 2027.

Sertanejo observa plantas e animais para prever chuvas no semiárido
Foto: Helenita Hollanda/Divulgação

Aos 76 anos, Francisco Elpídio de Medeiros mantém uma rotina baseada na observação da natureza para tentar antecipar a chegada das chuvas ao sertão. Morador da zona rural de Caicó, no Rio Grande do Norte, ele acompanha plantas, animais e fenômenos atmosféricos e ficou conhecido como “profeta da chuva”.

Elpídio estudou até a 8ª série e vive com a família em um sítio de 85 hectares, localizado em meio à caatinga. Na propriedade, há criação de gado leiteiro e plantações de feijão, milho, batata-doce e melancia. A área também é utilizada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em pesquisas sobre o bioma.

Plantas e sinais do clima

A jurema está entre as espécies observadas pelo sertanejo. O aparecimento de novos brotos, segundo Elpídio, pode indicar que a chuva se aproxima. Ele afirma que a planta capta a umidade do ar e que uma “carregação”, nome dado por ele à chuva, pode ocorrer em dois ou três dias.

O xiquexique é outro indicador acompanhado por Elpídio. Quando surgem tufos brancos na parte superior da planta, sinal do nascimento de flores, ele entende que a chuva está a caminho. Para o sertanejo, essas espécies atuam como uma “antena” natural, capaz de perceber a umidade do ar.

A observação começa antes do amanhecer, quando ele examina os morros da região em busca de uma névoa que possa antecipar mudanças no clima. Até o fim do ano, Elpídio pretende organizar os sinais reunidos para tentar prever como será o período chuvoso de 2027: um bom “inverno” ou um “inverno atrapalhado”, expressão usada para temporadas de chuvas irregulares.

Animais e “cinzas de setembro”

Os animais também integram suas previsões. Entre os sinais estão o acasalamento da seriema em novembro, a maneira como o cupim reveste sua casa e o aumento do enxame da abelha conhecida como eichu.

Elpídio observa ainda as chamadas “cinzas de setembro”, uma bruma que costuma aparecer nas primeiras horas da manhã sobre os morros. A tradição considera que os primeiros seis dias de setembro podem indicar como serão os seis primeiros meses do período chuvoso. “Se as cinzas forem boas nos seis primeiros dias de setembro, vai ter chuva nos seis primeiros meses do ano”, afirma.

Ele diz que as cinzas foram fracas apenas no dia 2 e, por isso, espera chuva irregular somente em fevereiro.

Além das previsões, Elpídio recolheu milhares de sementes de cerca de 40 tipos de plantas nos últimos anos. Depois, doou o material a organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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