Rafael Bittencourt passou a apontar Dominguinhos como o equivalente brasileiro de Van Halen, depois de ter escolhido Luiz Gonzaga para responder à mesma pergunta. A comparação foi discutida durante a participação do guitarrista Luciano Magno no Amplifica, programa apresentado por Bittencourt.
Nascido em Paulo Afonso, na Bahia, e radicado no Recife, Luciano é uma referência da guitarra no frevo. A conversa também abordou suas histórias com Dominguinhos, ritmos nordestinos e bastidores de estúdio. O músico gravou cinco discos com o sanfoneiro.
Da guitarra ao acordeon
O tema apareceu em meio a uma discussão sobre a desvalorização da cultura brasileira. Bittencourt mencionou ter ouvido que parte da nova geração de Exu, no sertão pernambucano, talvez não soubesse quem foi Luiz Gonzaga nem que o músico era da cidade. Ele ressaltou, porém, não saber se a informação era verdadeira.
Ao explicar a resposta anterior, Bittencourt afirmou: "Quando uma vez me perguntaram quem é o Van Halen brasileiro, eu falei: Luiz Gonzaga." Para ele, a linguagem do forró e do baião criada por Gonzaga no acordeon é mais brasileira do que a tradição associada à guitarra, instrumento americano. A escolha se apoiava na originalidade da linguagem, na capacidade melódica e na relevância nacional do sanfoneiro.
Com o tempo, o guitarrista passou a preferir Dominguinhos. O critério adicional foi a virtuosidade, característica que ele associa tanto a Van Halen quanto ao discípulo de Gonzaga. Luciano não contestou a mudança e destacou Gonzaga como responsável por construir uma representação musical do povo brasileiro.
O músico lembrou que Gonzaga passou um período no Rio de Janeiro, onde tocou em boates e aprendeu choro, polcas e maxixes. Também demonstrou na guitarra a presença dos modos mixolídio e lídio dominante no baião. Para completar o argumento, mencionou que Gonzaga já usava guitarra em gravações nos anos 70 e tocou um riff de rock com harmonia de blues.


