A Europa Filmes não definiu quando Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel, chegará aos cinemas brasileiros. Wilson Feitosa, diretor-geral da distribuidora, afirmou que a empresa não pretende lançar o filme antes ou durante as eleições de 2026. A companhia também negou ter produzido o pôster que anunciava uma pré-estreia em 30 de setembro.
A distribuidora quer aguardar esclarecimentos sobre a situação jurídica e documental do projeto. Feitosa afirmou que nenhuma data foi oficialmente anunciada pela empresa. Durante meses, 11 de setembro de 2026 apareceu como possibilidade de estreia, inclusive em declarações de Caviezel, mas o filme não entrou em cartaz naquele dia.
Documentação ainda pendente
A Ancine concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) em 7 de agosto. Até 4 de setembro, porém, ainda não havia sido solicitado o Certificado de Registro de Título (CRT), necessário para a exploração comercial da obra no país. O longa também precisa cumprir outras etapas, entre elas a classificação indicativa.
A indefinição ganhou novas proporções depois de uma operação da Polícia Federal realizada em 10 de setembro. A ação apura suspeitas relacionadas ao financiamento da produção, incluindo recursos de emendas parlamentares, contratos e transações financeiras. Entre os alvos de busca e apreensão estavam o deputado federal e produtor Mário Frias e Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment. As suspeitas ainda são investigadas e não representam conclusões definitivas sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Valores sob disputa
As investigações também envolvem Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master. Flávio Bolsonaro confirmou que procurou Vorcaro em busca de financiamento privado para o filme sobre seu pai. Ele afirmou que se tratava de patrocínio privado e negou ter oferecido vantagens em troca. Os repasses atribuídos a Vorcaro chegaram a aproximadamente US$ 12,3 milhões. A Go Up Entertainment havia declarado que seus investimentos eram estrangeiros e negado ligação financeira com ele.
Um plano de negócios localizado pela Polícia Federal previa investimento de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 122 milhões pela cotação mencionada nos documentos mais recentes. A projeção comercial estimava bilheteria de até US$ 100 milhões, aproximadamente R$ 510 milhões.
Cyrus Nowrasteh contestou a interpretação de que esse valor corresponda ao custo efetivo do filme. Em uma publicação depois apagada, o diretor classificou os números divulgados como inflados e disse que a produção teria custado bem menos. O cineasta, contudo, não apresentou um orçamento final detalhado que permitisse verificar o custo de forma independente.
Também há divergência sobre os valores gastos. Informações atribuíram a Karina Gama a estimativa de aproximadamente US$ 13 milhões empregados no desenvolvimento, nas filmagens e na pós-produção. Nowrasteh argumentou que cifras maiores associadas ao projeto poderiam incluir componentes como marketing. O investimento previsto, os repasses sob investigação e o custo efetivamente desembolsado não são necessariamente equivalentes.
Enredo e elenco
Dark Horse acompanha episódios da trajetória de Jair Bolsonaro, com foco na campanha presidencial de 2018 e no atentado a faca sofrido durante um ato eleitoral em Juiz de Fora. Caviezel interpreta o protagonista. O elenco inclui Camille Guaty, no papel de Michelle Bolsonaro, além de Esai Morales, Lynn Collins, Marcus Ornellas e Jeffrey Vincent Parise.
A direção é de Cyrus Nowrasteh, responsável por O Apedrejamento de Soraya M., O Jovem Messias e Infidel. A sinopse divulgada pelos responsáveis descreve Bolsonaro como um político outsider cuja ascensão eleitoral é transformada pelo atentado de 2018. Essa formulação corresponde à abordagem anunciada para o longa e não constitui uma avaliação factual independente dos acontecimentos retratados.
A Europa Filmes não considera o projeto abandonado. Feitosa afirmou que a cobertura das investigações poderia ampliar a curiosidade do público interessado no filme, mas a distribuidora mantém a decisão de não estabelecer uma estreia enquanto persistirem as indefinições jurídicas e documentais. Anúncios de sessões, pré-estreias ou vendas de ingressos devem ser confirmados pelos responsáveis pela distribuição.

