A primeira temporada de “Estilhaços” termina sem sustentar a ambição de reinventar as histórias de serial killers. Criada por Ryan Murphy e Bret Easton Ellis, a série parte do romance semiautobiográfico de Ellis e acompanha um grupo de adolescentes da elite de Los Angeles em uma trama marcada por assassinatos, drogas, conspirações e medo.
Um assassino no retorno às aulas
A narrativa se passa no início dos anos 1980, em um ambiente atravessado pela ascensão de serial killers, pelas controvérsias sobre cultos satânicos, pela popularização do rock e pela onda conservadora e neoliberal promovida pelo ex-presidente Ronald Reagan. Nesse cenário, Igby Rigney interpreta Bret, jovem aspirante a escritor e roteirista que também funciona como narrador e se vê envolvido em uma conspiração perigosa.
A rotina de Bret e dos amigos muda quando The Trawler, chamado de O Pescador em tradução livre, realiza o primeiro ataque na volta às aulas do último ano. O crime coincide com a chegada de Robert Mallory, aluno misterioso que desperta a curiosidade de Bret. A partir daí, segredos e cadáveres se acumulam pelas ruas de Los Angeles, enquanto o futuro dos personagens se torna cada vez mais incerto.
Ao lado de Bret estão Debbie Schaffer, interpretada por Hayes Warner, estudante popular do colégio Buckley e namorada do protagonista; Susan Reynolds, vivida por Kaia Gerber, presidente do corpo estudantil; e Thom Wright, papel de Graham Campbell, quarterback do time de futebol americano de Buckley e namorado de Susan.
Estilo conhecido, desenvolvimento irregular
A produção começa com segurança ao combinar o elenco a uma estética já explorada por Murphy e inspirada em referências do slasher, como “Halloween” e “Sexta-Feira 13”. O problema aparece quando a série tenta transformar seus assassinos em uma espécie de novo mito do gênero. As múltiplas subtramas se estendem sem desenvolver plenamente suas promessas, fazendo a história avançar entre acontecimentos que não encontram uma direção consistente.
O elenco também fica limitado por personagens estereotipados. A crítica à futilidade e ao senso de merecimento da elite perde força ao se aproximar mais da romantização do que da sátira. Rigney, que havia trabalhado em “Missa da Meia-Noite” e “Clube da Meia-Noite”, interpreta um personagem com pouco desenvolvimento, reiterado como uma figura que parece saber mais do que os demais. Campbell e Homer Gere também recebem construções pouco densas.
Warner se destaca na composição de Debbie, enquanto Gerber imprime carisma a Susan. Wes Bentley e Evan Rachel Wood formam Terry e Liz Schaffer, pais de Debbie, e Jordan Roth interpreta Steven Reinhardt, assistente extravagante e enigmático de Terry.
O principal impasse de “Estilhaços” está em sua insistência em se levar a sério ao propor uma perspectiva supostamente original sobre o slasher e os serial killers. A série está disponível no Disney+.


