A temporada começa com uma conspiração sobrenatural ligada ao número treze e acompanha Ben DeSoto (Joey Pollari), cuidador traumatizado que sofre de triscaidecafobia. Depois de perder a namorada em um acidente de avião, ele é contratado para supervisionar o Sr. Nas (Fedor Steer), um idoso em estado terminal cuidado por Constance Langdon (Jessica Lange) e pelo excêntrico Dr. Phibes (John Waters).
A residência do Sr. Nas concentra segredos que avançam sobre a fronteira entre o mundo terreno e o espiritual. As consequências alcançam a Suprema Cordelia Goode (Sarah Paulson) e as pupilas da Academia Miss Robichaux para Moças Excepcionais. Nesse percurso, a temporada também traz de volta personagens como Twisty, o Palhaço (John Carroll Lynch), e Elizabeth Short, conhecida como Dália Negra (Mena Suvari).
Uma reunião de referências
A produção foi concebida como uma reunião de nomes associados à antologia. Jessica Lange, Sarah Paulson, Evan Peters e outros retornam em uma homenagem às temporadas anteriores, movimento que pretendia recuperar figuras reconhecíveis do universo da série. Lange faz sua primeira aparição desde ‘Apocalypse’ e assume o principal destaque entre as atuações, retomando a personalidade ambígua, vingativa e superprotetora de Constance Langdon.
Criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk, ‘American Horror Story’ estreou em 2011 combinando horror, suspense erótico e drama psicológico. A série conquistou reconhecimento ao longo de suas primeiras quatro temporadas, mas também passou a enfrentar sinais de desgaste criativo em fases como ‘Cult’, ‘NYC’ e ‘Apocalypse’. A temporada mais recente antes de ‘13’ foi ‘Delicate’, cuja estreia ocorreu três anos antes.
Ritmo acelerado e mitologia explicada
Os três capítulos iniciais têm cerca de trinta minutos, e o último dura apenas 22. A estrutura alterna núcleos que não chegam a esclarecer plenamente seus objetivos, enquanto a trama repete explicações sobre o número treze e as teorias conspiratórias relacionadas a Ben. O protagonista acaba tendo menos espaço dramático do que os personagens que o cercam.
A temporada teria passado por mudanças desde sua concepção. Rumores indicavam que a história teria apenas seis episódios, posteriormente ampliados em sete para dialogar com o título da iteração. A alteração ajuda a explicar a sensação de uma narrativa repartida entre ideias e personagens que nem sempre se articulam.
Murphy e Crystle Roberson Dorsey dividem a direção e recorrem a elementos visuais familiares à antologia. Planos holandeses e ângulos obtusos procuram reproduzir a atmosfera de ‘Murder House’ e ‘Asylum’, com uma estética voltada ao estranhamento.
Há um ponto de originalidade na mitologia associada ao Apollyon, hotel onde o Sr. Nas vive. O nome é apresentado como uma transcrição grega de Abaddon, um dos reis do inferno, descrito como comandante de um exército de gafanhotos. Seu chamamento significa “destruidor”, possibilidade que sugere uma interpretação para a figura de Nas, ainda sem confirmação nos episódios iniciais.
Até aqui, a reunião de personagens conhecidos funciona mais como uma sucessão de referências do que como uma narrativa coesa. A multiplicação de núcleos e o excesso de explicações reduzem o espaço para que o elenco desenvolva plenamente seus papéis. Os próximos episódios chegam ao Disney+ em 1º de outubro.

