GOIÂNIA — A espuma branca que aparece nos galhos do Bosque dos Buritis é produzida pelas ninfas das cigarrinhas-da-espuma, formas jovens desses insetos. A estrutura funciona como proteção contra a desidratação causada pelo calor e também dificulta a ação de predadores.
O material eliminado pelas cigarrinhas pode se liquefazer quando as temperaturas estão elevadas. Com isso, a secreção acumulada entre folhas e galhos escorre em gotas, criando a impressão de que há uma chuva localizada mesmo quando o céu está aberto.
Como o gotejamento se forma
De acordo com a bióloga Wanessa de Castro, da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) de Goiânia, as cigarrinhas retiram seiva das plantas ao perfurar o tecido vegetal. O líquido contém açúcares e aminoácidos. Como os insetos não utilizam todo o material ingerido, eliminam o excedente.
A secreção se concentra na vegetação e, quando há volume suficiente, cai no chão. Wanessa resume a aparência causada pelo fenômeno: “A impressão é que a árvore esteja chorando, com gotas caindo, justamente por essa secreção produzida”.
Fenômeno temporário
A presença das cigarrinhas é natural e não prejudica as árvores. A concentração dos insetos costuma ocorrer no período reprodutivo e permanece por cerca de 30 dias.
Embora possa causar estranheza quando o líquido parece uma pequena chuva, a secreção não faz mal às pessoas, segundo a bióloga. Sua composição é principalmente de água, açúcares e aminoácidos.
Assim, quem caminhar pelo bosque e for atingido por gotas em um dia ensolarado não precisa associar o fenômeno à chuva. O gotejamento pode ser resultado da atividade das cigarrinhas e da transformação da espuma produzida pelas formas jovens.


