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“Hope – O Primeiro Impacto” transforma o horror em uma mitologia sem direção

Filme de Na Hong-jin constrói tensão e combina gêneros, mas perde coesão ao ampliar sua mitologia nos atos finais.

“Hope – O Primeiro Impacto” transforma o horror em uma mitologia sem direção

Atenção: spoilers à frente.

Na Hong-jin retorna ao cinema com uma história de monstros que começa pela sugestão e termina na expansão de um universo cada vez mais difícil de sustentar. Em Hope – O Primeiro Impacto, a tensão nasce de uma ameaça pouco visível, enquanto a cidade de Hope Harbor tenta compreender uma sequência de acontecimentos violentos. O filme encontra força na atmosfera e no trabalho do elenco, mas se enfraquece quando abandona a contenção inicial para acumular explicações, reviravoltas e caminhos narrativos que não se articulam.

Uma cidade diante do desconhecido

Situada na área desmilitarizada da Coreia, Hope Harbor é habitada principalmente por idosos. O cotidiano do lugar é interrompido quando o xerife Ko Bum-seok, interpretado por Hwang Jung-min, encontra o corpo dilacerado de um touro no meio da rodovia. A hipótese inicial aponta para a ação de um tigre montanhês, mas a investigação logo revela uma ameaça muito maior.

O responsável pela destruição é um monstro que permaneceu adormecido nas florestas próximas à cidade. A criatura surge como uma força destrutiva e imparável, e seu ataque conduz os moradores a uma luta pela sobrevivência. Ko recebe a ajuda de Im Sung-ae, vivida por Jung Ho-yeon, e do desequilibrado Ko Sung-ki, papel de Zo In-sung. Depois de tentativas frustradas, o primeiro monstro é derrotado. A vitória, porém, apenas abre espaço para o aparecimento de outras criaturas.

A escolha de não revelar imediatamente o visual do monstro é um dos recursos mais eficazes do diretor. Durante aproximadamente a primeira hora, o filme trabalha com ruídos, destruição e indícios, aproximando-se do suspense de ficção científica associado a Alien e Cloverfield – Monstro. Planos-sequência com estética de videogame ampliam a sensação de risco, enquanto comédia, ação e horror se alternam com dinamismo.

Quando a expansão enfraquece a história

A primeira metade também se beneficia da decisão de Na Hong-jin, que assina a direção e o roteiro, de evitar explicações extensas. O universo é apresentado por meio do choque cênico, permitindo que o público deduza parte de seu funcionamento. Essa estratégia favorece o mistério e impede que a narrativa se detenha em informações redundantes.

O problema aparece quando o filme, com mais de duas horas e meia, amplia sua mitologia entre o segundo e o terceiro atos. A tentativa de transformar a história em um universo complexo produz uma sucessão de reviravoltas que abre novas perguntas sem oferecer respostas satisfatórias. Elementos de estilos distintos passam a coexistir sem o mesmo equilíbrio encontrado no início.

A obra parece buscar o nascimento de uma franquia nos moldes de Godzilla e recorre repetidamente a soluções inesperadas para mover a trama. Com isso, o que antes era uma ameaça concreta e atmosférica se converte em uma colcha de retalhos que combina referências, ideias e possibilidades sem conseguir integrá-las plenamente.

Potencial diluído

A trajetória de Na Hong-jin ajuda a explicar a expectativa em torno do projeto. O diretor estreou com O Caçador, em 2008, passou por The Yellow Sea, em 2010, e lançou O Lamento em 2016, consolidando uma filmografia ligada ao suspense, ao terror, à violência e ao mistério.

Em Hope, há espaço para críticas ambientalistas e existencialistas, mas essas possibilidades aparecem diluídas em escolhas convencionais e em uma narrativa que não define com clareza qual direção pretende seguir. O filme demonstra domínio da tensão e capacidade de criar imagens marcantes, mas deixa escapar parte de seu potencial ao trocar a sutileza inicial por uma mitologia que cresce mais rapidamente do que a própria história consegue sustentar.

Hope – O Primeiro Impacto chega aos cinemas nacionais em 8 de outubro.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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