Cultura com voz
Cinema

Reboot de Resident Evil aposta em horror visual e estrutura de videogame

Sob direção de Zach Cregger, o longa combina sobrevivência, body horror, fotografia marcada por cores e uma narrativa dividida em missões.

O novo Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, transforma a adaptação da franquia em uma experiência guiada pela linguagem dos videogames. Em vez de reproduzir diretamente os acontecimentos dos jogos, o filme acompanha uma narrativa inédita, ambientada paralelamente a Resident Evil 2, e combina câmera em primeira pessoa, missões sucessivas e personagens que funcionam como pontos de passagem para a ação.

Luz, cor e ameaça

A direção aposta em dois registros visuais. No primeiro, Bryan, interpretado por Austin Abrams, atravessa uma natureza inóspita, marcada pelas montanhas nevadas e pela sensação de isolamento. O ambiente externo contrasta com os perigos que surgem na escuridão e conduz o entregador de produtos médicos por uma sequência de situações cada vez mais ameaçadoras.

No segundo momento, o filme se aproxima do body horror associado a David Cronenberg. O surto viral que destruiu Raccoon City transforma pessoas em monstros e coloca o protagonista no centro de um conflito ligado à ambição humana e ao destino dos personagens. A fotografia de Dariusz Wolski explora cores e luzes de identidade ácida, enquanto pequenos planos-sequência evitam depender apenas dos sustos repentinos.

O trabalho visual também recorre a movimentos de câmera como o panning e aos plongées e contra-plongées. A composição busca simetria em cenários dominados pelo caos, preparando a aparição de cada criatura enfrentada por Bryan. A trilha de Hays Holladay e Ryan Holladay acompanha esse percurso com um minimalismo baseado nas cordas, reforçando a dimensão sensorial do longa.

Uma missão de sobrevivência

O roteiro é assinado por Cregger e Shay Hatten. A trama começa quando Bryan aceita transportar uma carga prioritária para o Hospital de Raccoon City sem saber o que há dentro do pacote. Durante o caminho, ele atropela uma mulher que aparece na estrada e decide levá-la a médicos locais. O comportamento dela, porém, indica uma transformação monstruosa.

Depois de encontrar um policial, Bryan se vê diante de um surto que converte pessoas em criaturas. Um pequeno grupo de cientistas permanece a salvo e aguarda uma cura que depende do jovem entregador. A jornada profissional passa, então, a seguir uma lógica de sobrevivência, enquanto ele tenta voltar para casa, onde sua namorada grávida o espera para discutir o futuro do casal.

A estrutura faz referência direta à experiência de jogar. O monólogo interior verbalizado pelo protagonista repete algumas frases, mas esse recurso ganha sentido à medida que a história se organiza como uma série de tarefas. Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser aparecem como figuras que preparam o terreno para as cenas de ação.

O peso da franquia

A nova versão chega depois de outras tentativas de levar Resident Evil ao cinema. A primeira adaptação foi lançada em 2002, com Milla Jovovich no papel de Alice, ex-funcionária da Umbrella Corporation que se transforma em uma arma contra o T-Vírus. Embora tenha alcançado um desempenho expressivo nas bilheterias, o filme recebeu avaliação crítica negativa.

Também não conseguiram estabelecer uma trajetória duradoura Bem-Vindo a Raccoon City e Resident Evil: A Série, da Netflix, cancelada depois de uma temporada. O reboot comandado por Cregger se distancia dessas produções ao assumir uma combinação de humor sardônico, tensão e referências formais aos jogos.

A mistura pode dividir os fãs dos títulos originais, sobretudo porque a narrativa não adapta diretamente uma história conhecida. Ainda assim, a proposta encontra unidade na fotografia, no desenho sonoro e na organização episódica da ação. O resultado é uma entrada da franquia que procura renovar sua linguagem sem abandonar o horror de criaturas e a atmosfera de ameaça constante.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.