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A sequência de Da Magia à Sedução repete símbolos, mas perde a identidade do original

Com mais recursos técnicos e quase meia hora a mais, o segundo filme retoma personagens e elementos conhecidos sem recuperar a força emocional do primeiro.

A sequência de Da Magia à Sedução repete símbolos, mas perde a identidade do original

A diferença mais evidente entre os dois filmes de Da Magia à Sedução não está na tecnologia, mas na maneira como cada um constrói seu universo. O longa de 1998 transforma cenários, cores e relações familiares em partes essenciais da narrativa. Já a continuação recupera personagens, objetos e conflitos reconhecíveis, mas transmite a sensação de reorganizar lembranças sem produzir o mesmo envolvimento.

Uma casa que participa da história

No primeiro filme, a fotografia de Andrew Dunn não funciona apenas como registro. Verdes, azuis, amarelos e tons quentes dão forma à cidade e à casa da família Owens, situada entre a realidade e o conto de fadas. A escuridão preserva densidade, a luz do dia tem calor e a noite assume tonalidade azulada. A cozinha parece acolhedora; o jardim, extraordinário.

A direção de arte reforça esse efeito. A residência vitoriana, com varanda, jardim de inverno, antiguidades e objetos criados para o cenário, foi concebida quase como uma personagem. Décadas depois, continua sendo uma das imagens mais lembradas do filme, justamente porque não serve apenas de pano de fundo: ela concentra a atmosfera daquela família.

Personagens antes da franquia

A força do longa também está na relação entre Sally e Gillian. As irmãs têm desejos opostos, embora permaneçam profundamente ligadas. Sally busca uma existência comum por temer o legado da família; Gillian prefere experimentar o mundo, apaixonar-se, viajar, errar e fugir. Frances e Jet, as tias, não aparecem somente para explicar as regras da magia. Elas têm temperamento e presença próprios.

Os romances cumprem função semelhante. O encontro entre Sally e Gary envolve atração, conflito, risco e dúvida. O espectador acompanha o vínculo porque os personagens parecem ter algo em jogo, não porque a trama simplesmente precisa formar um casal.

Tudo isso cabe em 1 hora e 44 minutos. Nesse intervalo, o filme combina romance, comédia, fantasia, drama familiar e terror sobrenatural. Jimmy Angelov começa como um namorado abusivo, morre, retorna e se converte em ameaça demoníaca. Sally enfrenta o luto; Gillian lida com as consequências da violência; Gary precisa decidir se acredita no que vê. A relação entre as irmãs permanece como eixo da narrativa.

Mais duração, menos consequência

A continuação chega a aproximadamente 130 minutos, quase meia hora a mais, mas produz a impressão de que menos acontecimentos têm peso. Joey King e Maisie Williams representam uma nova geração dos Owens, enquanto o roteiro reúne o besouro, as margaritas da meia-noite, a música, a maldição e outros sinais associados ao filme anterior.

A repetição dos elementos não basta para reconstituir a emoção. O retorno de uma referência pode provocar reconhecimento, mas não substitui o desenvolvimento dramático. Em vários momentos, Sally e Gillian parecem permanecer presas a medos e funções semelhantes às do primeiro filme, enquanto a nova geração enfrenta uma variação da mesma maldição.

A continuação parece perguntar quais imagens do longa original o público gostaria de rever, em vez de investigar como aquelas mulheres teriam mudado depois de quase três décadas. Essa escolha aproxima a sequência de uma lógica de homenagem que confunde familiaridade com transformação.

O risco de tornar tudo reconhecível

O problema se relaciona a uma dependência maior da memória afetiva. Personagens, músicas, figurinos, frases e enquadramentos retornam para reativar lembranças. Quando a nostalgia serve para mostrar a passagem do tempo, ela pode ampliar o sentido de uma continuação. Quando ocupa o lugar do conflito, deixa os personagens presos ao passado.

O primeiro Da Magia à Sedução aceitava misturar elementos de naturezas diferentes: uma família de bruxas, uma história de amor, a morte de um homem abusivo, seu retorno ameaçador, possessão, humor e um ritual coletivo conduzido pelas mulheres da vizinhança. A combinação poderia parecer irregular, mas foi justamente essa disposição para o excesso que deu ao filme uma identidade própria.

A produção custou cerca de US$ 75 milhões, abriu com US$ 13,1 milhões nos Estados Unidos e alcançou aproximadamente US$ 94,4 milhões no mundo. Em 1998, recebeu críticas mornas e teve desempenho comercial apenas razoável. Com o tempo, porém, encontrou novas gerações e passou a ser reconhecida como clássico cult.

O que permanece

A força do original não depende da perfeição. Ela está na conexão entre fotografia, música, cenário, atuação, roteiro e direção, todos orientados para uma emoção específica. A casa parece habitável, as personagens parecem conhecidas e os conflitos familiares dão sentido à fantasia.

O próprio Griffin Dunne reconhece que a história se sustenta menos na feitiçaria do que nas relações entre gerações de mulheres, na alegria, no trauma e na permanência da família diante da perda. Essa dimensão emocional explica a capacidade de o filme continuar encontrando espectadores.

A sequência tem Sandra Bullock, Nicole Kidman, a casa, as bruxas, a maldição e efeitos digitais mais avançados. Ainda assim, a soma desses componentes não reproduz automaticamente a atmosfera do primeiro capítulo. O que falta não é apenas uma imagem específica, mas a personalidade que fazia cada elemento parecer necessário.

A comparação não significa que todos os filmes antigos fossem melhores. Titanic, A Múmia, Edward Mãos de Tesoura, Romeu + Julieta, As Patricinhas de Beverly Hills e Jurassic Park são lembrados, entre outras razões, por assumirem cores, excessos e escolhas visuais próprias. O ponto é que parte do cinema comercial parecia mais disposta a construir uma identidade do que a repetir uma fórmula reconhecível.

Reassistir ao original pela 33ª vez reforça essa diferença. Sally e Gillian não são apenas personagens que retornam: elas conduzem o espectador a um lugar que parece vivo. A continuação dispõe de mais recursos, mas não alcança o mesmo encantamento porque reproduz os sinais da memória sem recriar o sentimento que os tornou importantes.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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