BELÉM — A exposição Burle Marx – Expedição Amazônia apresenta, no Centro Cultural Banco da Amazônia, documentos, fotografias, depoimentos e materiais relacionados à expedição realizada por Roberto Burle Marx em 1983. A mostra também aborda a atuação do paisagista nos campos da botânica, da pesquisa e da preservação ambiental.
A abertura oficial ocorre nesta terça-feira (22), às 19h. Com curadoria de Luiz Prado, do Instituto Sotaques, a exposição permanece em cartaz até 17 de janeiro de 2027. A visitação é de terça a sexta-feira, das 10h às 16h, e, nos finais de semana e feriados, das 10h às 14h.
O percurso reúne registros da viagem de 11 mil quilômetros, incluindo acampamentos, etapas de logística e ações de preservação florestal. O público poderá consultar um dossiê sobre o período na floresta, ouvir depoimentos gravados e manusear fotografias apresentadas em monóculos e slides. A montagem também inclui materiais produzidos pela equipe de cientistas e pesquisadores que acompanhou Burle Marx.
Pesquisa botânica e paisagismo
Nos dias 23 e 24, Rafael Zamorano Bezerra conduzirá visitas guiadas especiais. Historiador, doutor em História Social e chefe da Divisão Técnica do Sítio Roberto Burle Marx (SRBM-Iphan), ele destaca a relação entre a coleta de espécies, o trabalho científico e a produção artística do paisagista.
“A expedição de 1983 teve uma importância fundamental tanto para a produção científica quanto para a produção artística de Roberto Burle Marx”, afirmou Bezerra. Segundo o historiador, muitas plantas coletadas na Amazônia foram posteriormente aclimatadas no Sítio Roberto Burle Marx e incorporadas a projetos paisagísticos. Algumas eram pouco estudadas pela ciência e raramente utilizadas em jardins.
As expedições também envolviam observações de campo, produção de exsicatas, registros botânicos e documentação das condições ambientais encontradas ao longo do percurso, com a participação de especialistas de diferentes áreas, especialmente botânicos. A mostra relaciona esse trabalho à construção de uma linguagem paisagística brasileira baseada na observação da natureza e no conhecimento científico.
O acervo apresentado ainda retoma os escritos de Burle Marx sobre destruição florestal e preservação ambiental. Para Rafael Zamorano Bezerra, essas preocupações permanecem atuais diante da emergência climática. Ele também relaciona o Sítio Roberto Burle Marx, protegido nas esferas federal, estadual e municipal e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, à formação de uma relação entre sociedade e natureza.
Margaret Mee
Uma sala é dedicada à ilustradora botânica e ativista ambiental Margaret Mee (1909-1988), que colaborou com Burle Marx e realizou 15 expedições pela Floresta Amazônica a partir da década de 1950. Mee registrava espécimes vivos em seu habitat natural, entre eles a Flor da Lua, documentada aos 79 anos.
A produção de aquarelas da ilustradora também ocorreu no Sítio Roberto Burle Marx, que conserva 18 obras originais de seu acervo e abriga a estrutura denominada Sombral Margaret Mee. A trajetória dos dois artistas é apresentada a partir da aproximação entre arte, ciência e defesa da biodiversidade brasileira.
Para Bezerra, Burle Marx se diferenciava de Mee por ter os jardins como principal expressão artística. O paisagista utilizava o conhecimento botânico para desenvolver projetos conectados à flora brasileira, enquanto a ilustradora registrava plantas em seu ambiente natural.
A exposição está instalada no Centro Cultural Banco da Amazônia, na Av. Presidente Vargas, 800, bairro da Campina, em Belém.


