BELÉM — O Arte Pará 2026 reunirá 25 artistas visuais em sua 42ª edição, com abertura prevista para 5 de novembro no Museu do Estado do Pará (MEP), na capital paraense. Promovida pelo Grupo Liberal, a mostra terá entre os selecionados Itatiane Moraes, Flori Jacamo e Maurileno Sanches, artistas sediados no Pará.
A curadoria está a cargo da artista visual Keyla Sobral. A edição será viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Phebo e da Vale, e contará ainda com uma sala especial dedicada à produção de Carmen Sousa, homenageada do evento.
Memória, território e matéria
Nascida em Valparaíso, no Chile, Flori Jacamo tem 68 anos e vive em Belém há 23 anos. Sua produção reúne fotografia e pintura em acrílico, além de outras linguagens. Para a artista, a prática artística acompanha a experiência cotidiana e pode oferecer beleza, crítica, voz e ternura. Ela também desenvolve trabalhos em desenho, poesia, narrativa e nos círculos do feminino sagrado.
Selecionada para a mostra, Flori descreve a participação como um privilégio e uma honra. A artista afirma buscar técnicas capazes de registrar uma presença e, ao mesmo tempo, estimular a imaginação.
Natural de Cametá, no nordeste do Pará, Itatiane Moraes é uma artista negra e ribeirinha da Amazônia. Aos 43 anos, iniciou sua trajetória em 2004, depois de se mudar para Belém e participar de oficinas na Fundação Curro Velho. Foi nesse contexto, com os mestres Feliciano e Maurileno Sanches, que descobriu a escultura.
A artista já trabalhou com madeira, papel-machê, isopor e buchas de miriti. Atualmente, concentra sua pesquisa no nó do taperebazeiro, material relacionado à identidade ribeirinha de sua região. Seu processo parte da observação, da memória e das experiências vividas desde a infância em Cametá.
Itatiane considera a arte uma forma de preservar raízes, contar histórias e criar novas possibilidades. No Arte Pará, pretende ampliar o alcance de sua pesquisa e apresentar como um material ligado à vivência amazônica pode adquirir outros significados na arte contemporânea.
Uma tradição familiar
Belenense, Maurileno Sanches tem 49 anos e soma 31 anos de carreira. Sua relação com a escultura começou nas oficinas da família, em contato com a madeira e a produção de imagens sacras. Filho do Mestre Feliciano e sobrinho do Mestre Mauriz, ambos de Cametá, ele integra uma tradição familiar de produção de imagens de santos barrocos com mais de 80 anos.
Maurileno começou a frequentar esse universo aos 10 anos. Além de escultor, restaurador e arte-educador, trabalha principalmente com cedro e acapu, madeiras características da Amazônia. Sua produção atual articula memória, ancestralidade e território, incluindo obras feitas com esteios reaproveitados das antigas palafitas da Vila da Barca.
O artista foi selecionado para o Arte Pará em 1999, no início da carreira, e retorna à mostra em 2026, depois de 27 anos. Para ele, a nova participação reconhece seu percurso e também a continuidade da tradição dos mestres escultores de sua família.
Criado a partir do empreendedorismo de Romulo Maiorana (1922-1986), idealizador e fundador do Grupo Liberal, e de Déa Maiorana (1934-2026), o Arte Pará nasceu em 1982 com a proposta de valorizar e dar visibilidade à produção artística do Pará e da Amazônia.


