BELÉM — O Museu de Arte de Belém (Mabe) retomou oficialmente as atividades na quinta-feira (24), no Palácio Antônio Lemos, na Cidade Velha. A reabertura inclui a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo e ocorre em meio à previsão de novas ações culturais e de ampliação dos espaços destinados à cultura no prédio.
A programação foi apresentada pela Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), durante uma coletiva de imprensa realizada no local. A retomada acontece meses depois de manifestações de artistas, servidores e integrantes da classe cultural, que cobraram o funcionamento regular da instituição. Em junho, a mobilização ficou conhecida como “O Mabe pede socorro”.
Diálogo com artistas e reorganização do palácio
O secretário municipal de Cultura, Michel Durans, afirmou que a chegada da Bienal resultou de uma articulação iniciada há cerca de um ano, com adequações e diálogo entre diferentes setores. A gestão também recebeu solicitações de grupos culturais e pretende avaliar propostas para o uso do espaço.
“A partir do momento que o Mabe retoma suas atividades com todo o seu espaço, a classe artística tem um papel fundamental e um protagonismo dentro desse processo”, disse Durans.
A Prefeitura de Belém planeja reduzir a ocupação administrativa do Palácio Antônio Lemos para ampliar a utilização cultural do edifício. O prefeito Igor Normando afirmou que a administração municipal deverá manter apenas um gabinete no local. As áreas liberadas poderão receber estruturas como biblioteca e espaços voltados a estudantes, jovens e visitantes.
A proposta é ampliar o acesso da população à história, à arte e à informação. Durans também declarou que o museu está aberto à classe artística cultural de Belém.
Exposição da Bienal
A mostra “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática” abre ao público nesta sexta-feira (25) e permanece em cartaz até 29 de novembro. A exposição reúne trabalhos de dez artistas brasileiros e estrangeiros, produzidos em linguagens como vídeo, fotografia, escultura e instalação.
Belém já havia recebido outras apresentações da Bienal de São Paulo. Em 2022, obras da 34ª edição foram exibidas no Solar da Beira e no Mercado Ver-o-Peso. Em 2024, a 35ª Bienal ocupou o Palácio Antônio Lemos.
Entre os trabalhos da edição atual está “Ouro negro é gente” (2025), de Aline Baiana. A obra audiovisual utiliza o petróleo para abordar relações entre trabalho, pertencimento e memória. Também integra a exposição “Les Ressources – Le Ventre de l'Atlantique” (2025), de Hamedine Kane, instalação distribuída em dois núcleos e composta por madeira e objetos relacionados ao Atlântico como espaço de circulação de mercadorias, corpos e histórias.
Água como eixo curatorial
A curadora da itinerância em Belém, Anna Roberta Goetz, explicou que a relação com a água foi um dos critérios considerados na escolha das obras. O tema aparece de maneira direta e metafórica, associado a territórios e experiências distintas.
“A água e os diferentes tipos de água que vêm juntos. Nós usamos ou falamos aqui sobre a água. Os artistas falam sobre a água de um modo metafórico e também muito direto”, afirmou.
Segundo a curadora, o elemento permite abordar um passado marcado pela colonização e, ao mesmo tempo, pensar possibilidades para o futuro. A exposição também busca estabelecer uma relação com questões presentes nas sociedades atuais.
A visitação ocorre no Museu de Arte de Belém, no Palácio Antônio Lemos, de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, e aos sábados e domingos, das 9h às 13h. A entrada é gratuita. A mostra fica em cartaz de 25 de setembro a 29 de novembro de 2026.


