BELÉM — O cantor e compositor paraense Jeff Moraes estreia nesta quinta-feira (17), no Teatro CAIXA Cultural Belém, o espetáculo “Príncipe Negro – Uma Realeza Amazônica”. A temporada segue nos dias 18, 19 e 20 de setembro, sempre às 19h, com um repertório de 13 músicas, sendo oito inéditas. Os ingressos estão à venda no site da CAIXA Cultural e na bilheteria do espaço, por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).
A montagem retoma o personagem de “Menino Preto”, canção lançada há dez anos sobre a experiência de jovens negros, para deslocá-lo da perspectiva centrada apenas na sobrevivência. Jeff Moraes articula no palco questões de identidade, ancestralidade, criação, sonhos e futuro.
“Eu acho que aquele menino cresceu”, afirma o artista. Para ele, o novo espetáculo nasce da pergunta sobre o que acontece depois que esse personagem sobrevive à violência que atravessa os corpos de jovens negros, quais sonhos pode ter e que lugares pode ocupar.
Uma realeza construída na Amazônia
A figura do príncipe não é apresentada como parte de um reino distante. A concepção do show parte das referências amazônicas e dos espaços de convivência do artista. O trono é substituído pelo curimbó de um mestre de carimbó, pelo som de uma aparelhagem, por uma casa de axé ou por um microfone aberto na rua.
“Eu quis deslocar essa imagem. A nossa realeza está na música, no carimbó, na dança, na rua, na religiosidade, nas festas”, diz Jeff.
Música, teatro, dança, iluminação, imagens e tecnologia integram a encenação. As canções atravessam sonoridades amazônicas e latino-caribenhas, com referências ao carimbó e ao marabaixo. O repertório também antecipa parte do novo momento musical do artista, que prepara o EP “Tropicalaje”, produzido por Félix Robatto. Três faixas do espetáculo estarão no lançamento.
Entre as músicas inéditas está “Cantiga de Erê”, criada como contraponto a “Menino Preto”. A composição mantém a abordagem das dores da experiência negra, mas amplia a narrativa para pessoas negras vivas, que criam, fazem música, dançam, amam, sonham e constroem os próprios caminhos.
A ancestralidade aparece como elemento central da montagem, sem limitar o olhar ao passado. Jeff também pergunta quem ocupa hoje os lugares de príncipe e princesa e propõe uma celebração de pessoas negras presentes na sociedade.
Caminho artístico
Próximo de completar 20 anos de carreira, o cantor afirma que o espetáculo reúne referências de sua trajetória, mas não funciona como retrospectiva. A retomada de “Menino Preto” serve para construir uma narrativa orientada pelo presente e pelo futuro.
“Ele cresceu, sobreviveu e começou a imaginar o próprio reino”, resume Jeff Moraes ao descrever a passagem entre as duas obras.
“Príncipe Negro – Uma Realeza Amazônica” é uma produção paraense realizada por meio do Edital CAIXA Cultural 2026. Antes da estreia em Belém, Jeff participou, no Rio de Janeiro, no dia 11 de setembro, como creator paraense convidado do espetáculo “ECCO”, da LightWire, experiência que compartilhou nas redes sociais.
A programação do artista continua em outubro, com participação no Lambateria Festival, e no dia 16, em apresentação em Canaã dos Carajás.



